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Especial
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Os
pais do Indie Rock!
A
banda de punk rock Buzzcocks, clássica e pioneira deste movimento
musical que ferveu a cabeça dos roqueiros do mundo todo, a partir
da década de 70, volta a fazer shows em terras brasileiras, marcando
sua segunda apresentação por aqui.
O
Buzzcocks dispensa comentários e apresentações para aqueles que
acompanham a evolução da música pop mundial. Esta banda influenciou
milhares de bandas de todo o planeta, desde The Cure, Siouxie &
The Banshees, The Smiths, até Offspring, Green Day e Blink-182,
passando por Supergrass, Soup Dragon, Radiohead e R.E.M. |
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Fudido
não? Pois é, mas por incrível que pareça, o Buzzcocks ainda
é meio que "subestimado" e raramente tem seu mérito reconhecido
pela mídia.
Finalmente alguém em sã consciência, um cara chamado Renato
Martins, do selo e produtora Ataque Frontal, resolveu apostar
no peso e na tradição da banda e está organizando esta turnê
2001 no Brasil, com vários shows, mas com um show principal
em São Paulo, num local digamos, digno da banda, que é o Olympia,
onde os milhares de fãs brasileiros do Buzzcocks não precisarâo
ficar espremidos e poderão contemplar o melhor do punk rock
77, ao contrário do que ocorreu na primeira apresentação da
banda por aqui, nos idos de 1996. |
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Como
eu disse, a banda dispensa comentários, mas sempre é bom relembrar
um pouco da história deste mito, que resume o sentido do termo "Indie
Rock".
Não podemos esquecer que a cidade de Manchester é o segundo, se
não for o primeiro, centro musical da Inglaterra. Isso não era assim
antes de junho de 1976: como disse Pete Shelley do Buzzcocks, "Era
muito mais showbiz do que pop, mas todo pop era showbiz. Londres
foi onde tudo aconteceu". Mas o que este quarteto conseguiu foi
contribuir e muito para que a pop music fosse o que ela é hoje. |
| No
dia 4 de junho de 1976, o Sex Pistols tocou no Lesser Free
Trade Hall, no centro de Manchester. Aquele foi seu primeiro
grande show fora de Londres. O show foi organizado por dois
caras do Buzzcocks: Peter McNeish e Howard Trafford. Eles
teriam lido uma matéria sobre o Sex Pistols - no jornal New
Musical Express (21/02/76) - e foram direto para Londres encontrá-los. |
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Após
terem conhecido o Sex Pistols no High Wycombe (20/02/76) eles
decidiram formar uma banda. Já tinham o nome, o conceito (Iggy
Pop e os Stooges, Brian Eno, The Troggs) e resolveram mudar o
próprio nome para selar esse pacto de transformação. Peter McNeish
tornou-se Pete Shelley (o nome que ele teria se tivesse nascido
mulher) e Howard Trafford virou Devoto. O nome Buzzcocks veio
da manchete de uma resenha da revista "Time Out", sobre uma mini-série
pop clássica, escrita por Howard Schuman e chamada "Rock Follies".
Naquele
4 de junho de 1976, no meio da galera que estava no show dos Pistols,
estavam algumas das pessoas que seriam precursoras da história musical
de Manchester, para os próximos 25 anos: Peter Hook e Bernard Sumner
(Joy Division/New Order); Steven Morrissey (Morrissey/ The Smiths);
o apresentador de TV Tony Wilson (Factory Records), que colocou
o Sex Pistols na TV pela primeiroa vez; o produtor Martin Hannett
(Buzzcocks/ Joy Division/ New Order/ Stone Roses/ Happy Mondays). |
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Nesse público também se encontrava o terceiro integrante do
Buzzcocks, Steve Diggle (baixo). Em julho, o Sex Pistols tocou
no Lesser Free Trade Hall novamente. Desta vez, o Buzzcocks
(mais o baterista de 16 anos de idade John Maher) também estava
no palco. Foi o primeiro show do Buzzcocks.
Os comentários da imprensa sobre aquela noite colocavam a
banda - que só parou de tocar quando Devoto arrebentou as
cordas da guitarra de Shelley - no centro daquilo que logo
viria a se chamar Punk. |
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A
primeira gravação deles foi a mais importante: produzida por Martin
Hannett. "Spiral Scratch" foi um tiro engenhosamente certeiro, que
sem a ajuda de ninguém criou o que hoje é chamado de "Indie Rock",
não só no formato, mas também na prática. Eles lançaram um EP com
selo próprio, o New Hormones. Com isso, o Buzzcocks conseguiu mostrar
que o setor independente era viável e até preferível do que se prender
à grandes gravadoras que costumam dominar a indústria da
música.
"Spiral Scracht" fez bastante sucesso, mas depois que eles já tinham
feito mais de quinze shows, Howard Devoto deixou o grupo. Garth
se uniu à banda como baixista e Pete Shelley começou a mostrar seu
lado mais vigoroso no palco, o que se percebe perfeitamente em seu
primeiro grande lançamento, "Orgasm Addict" (Outubro/77). A banda,
juntamente com o empresário Richard Boon e o novo baixista Steve
Garvey, faziam parte então da indústria da música pop. |
| Você
pode perceber como tudo foi rápido (e ainda é) naquelas primeiras
gravações: no decorrer de 1978. O Buzzcocks lançou cinco singles
("What Do I Get?", "I Don't Mind", "Love You More", "Ever
Fallen In Love (With Someone You Shouldn't Have)?" e "Promises".
Todos sucessos, todos num só álbum e todos no Top 40, exceto
"I Don't Mind") e dois álbuns super sofisticados ("Another
Music In A Different Kitchen" e "Love Bites", ambos no Top
15). Com a assistência gráfica de Malcolm Garrett, o Buzzcocks
tornou-se um sinônimo de arte da era pop pós-Punk, o mais
requintado de Manchester. |
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Em
1978, também aconteceram três grandes turnês, nas quais o Buzzcocks
foi considerado uma das melhores bandas a se apresentarem, entre
elas estavam The Slits, Pop Group, Cabaret Voltaire, Penetration
e Subway Sect. Mas o sucesso foi muito rápido e isso é percebido
em algumas confidências das primeiras músicas como: "Fast Cars",
"Get On Our Own", até mesmo na traumática "16", que se converte
para formas estranhas de músicas como "ESP" ou "Nostalgia".
Em 1977, Shelley cantou (e ele que se dispôs): "How I hate modern
music/ Disco, Boogie and Pop/ It goes on and on and on and on/ HOW/
I/ WISH/ IT/ WOULD/ STOP !" (Como eu odeio a música moderna/Discoteque,
Boogie e Pop/Isso toca e toca e toca sem parar/COMO/EU/GOSTARIA/QUE/ISSO/ACABASSE!). |
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Em
1978, Shelley fazia parte do pop e não havia nada que ele
pudesse fazer para impedir isso. Os ideais que o Buzzcoks
pregava e ajudava a desenvolver haviam desaparecido. No lugar
dos acidentes inspirados vinham as carreiras; no lugar dos
encontros freqüentes, o isolamento do estrelato pop. O Buzzcocks
começa a decair. |
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"Everybody's
Happy Nowadays" alterna introspecção e ambigüidade. A música "A
Different Kind Of Tension" (Top 30 em outubro/1979) revela o lado
místico e filosófico de Shelley - que repercutiu no grande single
de Diggle, "Harmony In My Head" (top 40 em julho /1979) - e acaba
se destacando no terceiro álbum do Buzzcocks. Nesse momento, em
meio a tantas dúvidas, Shelley é convocado para cantar o que muitos
consideram sua sentença de morte: a música "I Believe", que tem
nada mais nada menos que sete minutos.
Do
niilismo punk do "Boredom" e "16" até a admiração arduamente conquistada
de "I Believe", foi uma longa jornada (pela qual muitas pessoas
envolvidas com o punk também passaram para sobreviver), conduzida
em um curtíssimo espaço de tempo. Mas isso foi exaustivo. Os três
singles finais, gravados com Martin Hannett durante uma loucura
com drogas, incluía o panteísta "Are Everything", mas o Buzzcocks
simplesmente fracassou - isso foi no início de 1981.
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| Assim
como acontece com o Punk em geral, ainda há algo inacabado.
Tudo aconteceu tão rápido que a maioria das pessoas envolvidas
ainda estão chegando a um acordo em relação aos acontecimentos
daqueles anos apocalípticos. Depois do Buzzcocks, os integrantes
da banda que se separaram seguiram seu próprio caminho. Shelley
produziu uma das gravações Eletro/Disco gay mais sofisticadas,
"Homosapien". John Maher se afastou para trabalhar com seus
carros de estimação. Steve Garvey foi para os EUA, enquanto
que Steve Diggle aplicou sua vocação para o estilo Mod, com
a banda Flag of Convenience. |
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E
o tempo passa lentamente. Em 1987, o Fine Young Cannibals fez
um cover de "Ever Fallen In Love?" para uma trilha sonora do filme
"Something Wild" do anti-yup Jonathan Demme. O som estridente
de guitarras dos garotos de Manchester alcança seu auge de influência
musical em 1990. Então, o Buzzcocks resolve voltar - e não teve
ninguém que pudesse impedi-los! Naquele ano, eles voltaram com
a seguinte letra de música:
"About
the future I only can Reminisce (Sobre o futuro, eu só posso pensar
no passado)
For what I've had is what I'll never get (O que eu tenho é o que
eu nunca conseguirei)
And although this may sound strange (E, embora isso possa soar
estranho)
My future and my past are presently disarranged (Meu futuro e
meu passado estão hoje em desarmonmia)
And I'm surfing on a wave of nostalgia for an age yet to come
(E eu estou surfando numa onda de nostalgia por uma época que
ainda está por vir)"
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A
formação da banda então passava a ser Shelley, Diggle, o baixista
Tony Barber e o baterista Phil Barker. Nesta nova fase, o
primeiro álbum lançado foi Trade Test Transmission, de 1993.
Depois do lançamento, a banda fez vários shows até o ano de
1996. Nos meados de 1996, a banda lançou seu quinto álbum
de estúdio, chamado All Set. Ainda em 1996, lançaram um álbum
ao vivo gravado na Alemanha em 1991, chamado Auf Wiedersehen. |
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A
banda então começava a sustentar uma identidade nova e uma segunda
vida na década de 90. Em 1999 eles lançaram seu mais recente álbum
de estúdio, chamado Modern e fizeram vários shows pelo mundo afora
divulgando este novo CD. No ano passado, Howard Devoto se reencontrou
com os velhos amigos do Buzzcocks, mas especificamente com Pete
Shelley, para um revival e alguns shows com uma banda que eles mesmos
batizaram de Buzzkunst. Shelley e Devoto já terminaram as gravações
do primeiro álbum desta nova banda, que deve ser lançado ainda neste
ano de 2001 e que deve conter 14 faixas. Com certeza será mais uma
obra prima dos "viciados em orgasmo".
Marcio Faveri - da redação
Se você é fã do Buzzcocks e quer fazer uma resenha
sobre a história da banda, mande um e-mail com seu texto
para especial@portaldorock.com.br
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| Entrevista
exclusiva com BUZZCOCKS |
| Show
do BUZZCOCKS em São Paulo |
| Site
Oficial do BUZZCOCKS |
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