Especial

 

A Força do Novo Metal!

No início dos anos 90, na pequena cidade de Bakersfield, California, surgia um novo som. De início, era apenas mais um estilo, depois isso cresceu com força e se intensificou com o tempo, ganhando popularidade e tornando-se comum até mesmo em discursos políticos. Impregnou nos ouvidos, invadiu as mentes e aterrorizou a todos genuinamente.

A voz, cantada em tons rítmicos baixos, falava para uma geração que não tinha mais nada dos EUA moderno em seus líderes. Uma geração alimentada com mentiras, violência e ganância da própria sociedade. Cada vez mais as pessoas percebiam a autenticidade das reivindicações e aderiam a suas causas. Os políticos começaram a ter receio e tentaram impedir este levante, censurando e denunciando. Mal sabiam eles que, seis anos depois, aquele mero estilo novo iria se tornar um som ensurdecedor, uma lembrança incomodamente atual de sua própria existência e de sua legião de seguidores...

 
Criado em Bakersfield, Califórnia, da união de duas bandas (LAPD e Sexart), o KoRn se tornou uma das bandas mais populares dos anos 90. Como já se sabe, eles revolucionaram a música heavy-metal, injetando diferentes influências musicais no metal tradicional, do hip-hop e rap ao funk music dos anos 70. Esta estranha mistura dá ao KoRn um estilo próprio. Os diferentes estilos envolvidos teoricamente se contradizem, porém, mesclados com a habilidade musical da banda, dão ao som um aspecto que os críticos não podem simplesmente se sentar e dizer "Hummm. Bom."  
 
  Com o grande sucesso do primeiro álbum auto-intitulado KoRn, a banda se apresentou ao mundo abruptamente, com os arranjos de bateria bem rápidos de David Silveria, os riffs de guitarra assustadores e macabros de James "Munky" Shaffer e Brian "Head" Welch, o baixo empolgante estilo porrada de Reggie "Fieldy" Arvizu e a voz autenticamente emotiva de Jonathan Davis. As longas canções autobiográficas compostas por Jon Davis representam quase sempre o psicológico de uma criança perdida e são cantadas com tanta emoção e energia, que ele consegue conquistar instantaneamente os fãs de qualquer lugar do mundo.
A maneira como o KoRn faz esse som peculiar é bastante diferente das outras bandas. A principal diferença é o uso da guitarra de sete cordas de Head e Munky, um instrumento muito raro. A corda extra dá à guitarra um tom mais baixo, permitindo com que os guitarristas do KoRn tenham várias opções de corda para executar. Para não caírem no conformismo, Head e Munky também afinam suas guitarras de uma maneira muito diferente da maioria dos guitarristas roqueiros. Considerando que a maioria dos guitarristas utilizam a afinação clássica para uma guitarra de sete cordas (B E A D G B E), os guitarristas do KoRn as afinam de uma maneira muito esquisita, A D G C F A D. O ajuste do baixo de Fieldy também se difere da maioria das bandas. Utilizando um baixo de cinco cordas com o tom estrondoso de A D G C F, e empregando uma técnica exclusiva e empolgante no estilo porrada, Fieldy dá ao baixo do KoRn um estilo muito rítmico, com uma característica quase percussionista. Por se diferenciar das outras bandas é que o KoRn tem feito tanto sucesso.

O primeiro álbum do KoRn ganhou disco de platina, o que é muito difícil para o primeiro trabalho de uma banda heavy-metal. Desde os sons pesados e que abalam o coração como "Ball Tongue", até as músicas lentas e devastadoramente emocionais como "Daddy", os fãs ficaram hipnotizados pelo excesso de musicalidade e sentimentos apresentados por eles. Outros destaques do álbum do KoRn são: a música de abertura dos shows da banda, "Blind", a irreverente "Shoots and Ladders", a estarrecedora "Divine" e a universalmente apelativa "Need to". Na verdade, o álbum inteiro é uma metáfora sobre a infância, porque nele havia desde a figura de uma garota na capa a escrita de uma criança na parte interna do encarte e o erro ortográfico tosco de "corn" com K e R invertidos.
 
Em 1996, o KoRn se aventurou com seu segundo álbum, "Life is Peachy". Embora reconhecidamente pressionado pela própria gravadora, "Life is Peach" não mostrou nenhum sinal de má qualidade. Desde a loucamente bizarro "Twist" até a esquemática "Good God", todas as faixas eram muito agradáveis. O KoRn não tinha deixado de lado a missão de fazer uma ótima música para agradar seus fãs, superando seu grau anterior de qualidade.
  1998 foi um ano bastante atribulado para o KoRn. Além de passar um tempão caprichando no terceiro álbum, "Follow the Leader", eles também trabalhavam em outros projetos, incluindo seu próprio festival de rock chamado "Family Values", o selo particular da banda chamado "Elementree Records" e um programa semanal pela internet chamado "KoRn T.V.".
 

Ao produzir "Follow The Leader", o KoRn gastou todo seu tempo para garantir que este álbum alavancaria o sucesso dos álbuns anteriores, incorporando equipamentos de gravação da mais alta qualidade, o que deu ao novo álbum um som moderno e empolgante. Este disco também contou com a participação de vários convidados, desde Fred Durst do Limp Bizkit, até Trevant Hardson do Pharcyde e Cheech Marin. Nem precisa dizer que "Follow The Leader" foi um sucesso. O single "Got The Life" tocou direto nas rádios, enquanto que o vídeo clipe de "Freak on a Leash" ganhou dois prêmios no MTV Video Music Awards de 1999.
 
O último álbum chamado "Issues" foi lançado no dia 16 de novembro de 1999. Com este CD, o KoRn estava pronto para acabar com todos os descrentes sobre o talento e competência da banda. Deixando de lado o hip-hop que eles haviam adotado no "Follow The Leader" de 1998, "Issues" surge com um estilo rebelde, trazendo o melhor das guitarras de Head e Munky, a mais pura porrada do baixo de Fieldy e o peso da batgera de David Silveria.
  Logo de cara o disco começa com a faixa "Dead", Jon Davis canta "tudo o que quero ser feliz". O Korn conseguiu fazer uma carreira com temas que abordam seus próprios problemas e questionamentos, ou seja, "issues". Com certeza os fãs da banda não se decepcionaram com este disco!

Abaixo temos algumas definições para as músicas do álbum "Issues" do KoRn:
Dead

"All I want in life is to be happy" ("Tudo o que eu quero na vida é ser feliz"), isso é simples. As pessoas dizem que isso se tornou um hino. É como se eu começo a me sentir bem e alguma coisa vem e leva isso embora, e eu me sinto como se não fosse nada novamente, como um morto. - Jonathan Davis.
Falling Away From Me

A música fala sobre a exploração sexual dentro de casa e que há como pedir ajuda se você contar para alguém ou ligar para números de ajuda, há várias maneiras de se livrar dessas situações. Ninguém deve ser tratado assim. - Jonathan Davis.

Trash

'Trash" conta como eu joguei meu mundo e todas as coisas fora. Eu as desprezei. Deixei de lado todo o meu passado. Basicamente acaba chegando no assunto sexo. As batalhas que enfrentei, este álbum inteiro conta o que eu já passei e porque continuei na estrada e acabei ficando louco. - Jonathan Davis.
 
 
  Beg For Me

"Beg For Me" é mais que uma coisa de raiva porque tudo em "Beg For Me" é a multidão. A única vez que eu ficava bem na turnê era quando eu subia no palco e o som começava.

Marcio Faveri - da redação

Arte - Paulo Vinicius

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