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Especial
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O
Punk Rock das Ruas!!!
Como
a formação do próprio nome diz, o street punk é na essência
o punk rock das ruas, ou seja, aquele punk rock livre dos
modismos que dominaram boa parte das bandas punks no final
da década de 70, atraídas pela possibilidade de fama e fortuna,
principalmente em mercados com o dos EUA.
Enquanto
bandas como Sex Pistols, Generation X e Buzzcocks se popularizavam,
viravam a coqueluxe e começavam a se transformar em produtos
nas mãos de empresários gananciosos, nascia nos extremos
de Londresum novo levante que pretendia fazer com
que o som feito pelos punks fosse realmente a "voz das ruas",
daí o nome street punk, que
era a denominação do punk "raíz", um punk mais arruaceiro,
típico dos pubs ingleses.
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| Bandas
tipicamente punks como o UK Subs, Slaughter & The Dogs, Anti
Nowhere League, 999, The Crack, Lurkers, Vice Squad e até mesmo
(e principalmente) The Exploited, faziam a trilha sonora deste som
das ruas, que logo sofreria algumas influências, se consolidando
como street punk. |
Entre
1978 e 1979, era chegada então a hora e a vez da safra de
ouro do street punk, ou seja, a época do nascimento, ou mesmo
aparecimento, de bandas como Cockney Rejects,
Sham 69, Cock
Sparrer, Peter
& The Test Tube Babies, Menace, Angelic Upstarts,
4 Skins, The
Business, Last
Resort, Blitz,
Infa
Riot,
Red Alert, Partisans,
entre outras.
Com o tempo, o street punk também passou a ser chamado de
Oi!, por causa de uma música do Cockney Rejects, "Oi! Oi!
Oi!", de 1980. Cockney Rejects? Será que vocês já ouviram
falar dessa banda? Provavelmente sim, mas muito provavelmente
não! Veja mais adiante um pouco da história da banda. |
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O
street punk tradicional é apolítico, como deveria ser toda a cena
punk. Nem esquerda nem direita. O street punk é um estilo de vida,
é algo de muito real pois lida com o dia-a-dia, tem a ver com as
ruas, com o trampo, camaradagem, união, estar alerta para o que
nos rodeia e odiar política. Mas isso tudo hoje nada tem a ver.
Uma pessoa comum pode muito bem curtir street punk somente pelo
som e pela energia dos shows, que no caso das bandas de street punk,
são sempre muito alucinantes e agitados!
A palavra "hooligan" esteve sempre associada ao street punk inglês,
mais de certa maneira foi deturpada. Hooligan seria simplesmente
um "arrruaceiro". Eram os mods, hard-mods, suedeheads, bootboys,
skinheads ou mais abrangentemente: os malucos e gangues da
rua. Estes hooligans tinham o culto da rua, do futebol, dos copos.
Mas não procuravam desesperadamente a violência, simplesmente não
a evitavam. |
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Parece
que hoje em dia para um hooligan tem que obrigatoriamente
haver sangue. Já haviam hooligans antes de se infiltrarem
no futebol, inclusive bandas de ska jamaicanas tinham letras
sobre os chamados "arruaceiros". No caso da Jamaica eram os
rude boys que entravam em conflitos com a polícia.
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| O
street punk também foi muito associado aos skinheads e isso resultou
numa salada musical e ideológica realmente infernal. Voltando um
pouco na história, no final de 77, começo de 78, temos um racha
no punk, semelhante ao que houve no mod nos anos 60: parte do movimento
segue um direcionamento mais "artístico" (originando o pós-punk,
new wave, gótico, etc), e outros pegam mais o lado agressivo, rueiro
e suburbano (o "street punk", mais tarde apelidado de "Oi!"). Essa
leva de punks mais "crus", têm como guia o Sham 69. Jimmy Pursey,
vocal do Sham, era skin no começo dos anos 70, e a banda tinha um
grande público skinhead. Desta forma, começa a se multiplicar uma
nova geração de skins, influenciados pelo punk e ouvinte de punk
rock, com um visual menos bem arrumado do que os skins originais.
Os skins "tradicionais" diziam que estes eram apenas "punks carecas",
pois não tinham noção alguma sobre as tradições do skinhead. |
| De
um outro lado, nascia na Inglaterra o "skinhead nazista",
tão conhecido pelo mundo todo. No entanto, a maioria dos skins
continuava sem um direcionamento político definido, longe
dos fascistas. Sabe-se que nesta mesma época (1979), havia
uma turma de skins em Londres chamada "S.A.N."- "Skinheads
Against Nazis", que queria eliminar a influência dos neo-nazistas.
Bandas de punk rock com membros skins, como os Angelic Upstarts,
eram assumidamente esquerdistas e se opunham ao National Front
(Partido Nacionalista Inglês) com veemência! |
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| Mas
como é de costume, a mídia sensacionalista começava a chamar todo
skinhead de nazista, e o que é pior, todo jovem nazi de "skinhead".
Com isso, a extrema direita só conseguiu novos adeptos e os skins
"white power" (poder branco) aumentam em tamanho e importância.
Mas mesmo assim estavam longe de ser maioria. Em 1980, o punk estava
em baixa, tendo sido transformado em new wave e vendido em butiques.
Mas nos subterrâneos, muitas bandas de "punk real" estavam na luta.
A maioria delas era influenciada pelo Sham 69 e outras bandas street,
faltando apenas um nome para uní-las. |
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Eis
que o jornalista Garry Bushell, chama este novo movimento
de "Oi!", por causa da música dos Cockney Rejects "Oi! Oi!
Oi!". O Oi! tinha como ideal ser uma revitalização do punk
agressivo, realista, das ruas, sem a comercialização e a suavização
da new wave. Era a música que segundo Bushell, unia "punks,
skins e toda a juventude sem futuro". Logo organizaram a primeira
coletânea Oi!, com os Cockney Rejects, 4 Skins, Angelic Upstarts,
Peter & the test Tube Babies, Exploited e outras bandas,
formadas por punks, skins e "normais". |
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Foram
feitas várias outras coletâneas Oi! a partir daí, e muitas bandas
apareceram. Então, apesar de no Brasil as pessoas pensarem que
Oi é "som de careca", ou que bandas Oi devem ser de direita, isto
não passa de preconceito. O Oi! nada mais é do que um estilo de
punk rock de volta às raízes, mais ligado à rua, ao realismo social.
Nada a ver com à extrema direita. A maior prova disso é a adesão
original de bandas como os UK. Subs ao Oi!, e o fato do The Business
(uma das maiores bandas Oi), tocar um cover do Crass, banda ícone
dos anarcopunks, eternos rivais dos skins fascistas!
Enfim, a grande maioria das bandas ou era de esquerda ou era apolítica.
Entre as bandas Oi originais, não havia nenhuma que fosse nazi.
Algumas
bandas pioneiras no Street Punk
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Sham
69
O
que falta ser dito sobre o Sham 69... digamos que lá para
77 o punk se dividiu em duas partes. De um lado os punks
artísticos e moderninhos, intelectuais, e etc... Do outro
lado os punks "toscos", suburbanos, das ruas. Estes tinham
o vocalista do Sham, Jimmy Pursey como seu porta-voz. Nada
de poesia maldita, boemia, papo de faculdade, arte moderna
ou ousadia musical. A música do Sham era simples e direta,
assim como suas letras.
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| O
mais puro e energético punk rock, com a missão de unir a juventude
oprimida. Pena que a juventude oprimida costumava ir aos shows deles
e quebrar tudo, o que acabou acarretando no fim da banda. Jimmy
havia sido um skinhead alguns anos antes, e quando viu que surgia
uma nova geração de skins, se empolgou e deu o lendário grito "Skinheads
Are Back!" num show em 77. |
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Mas
o que ele não esperava era que, ao contrário dos skins originais
do final dos anos 60, parte da nova geração estava envolvida
com a extrema direita. Esta associação queimou o filme da
banda (que sempre fora contrária ao fascismo), e para a alegria
da imprensa, que colocava todos os skins, fascistas ou não,
no mesmo saco, Jimmy Pursey acabou renegando o público Skinhead
que tinha dado tanto apoio a eles. |
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Isso
foi considerado uma traição, e o Sham 69 perdeu boa parte
de seu público, sem falar na sua credibilidade. Mas o Sham
sempre será lembrado como a banda mãe do Oi!, por sua temática
realista e rueira, e por estimular a união entre punks, skins,
e toda a juventude sem futuro.
http://www.sham69.com |
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Slaughter
& The Dogs
O Slaughter & The Dogs começou em Manchester em 1975, influênciados
pelo Glam Rock. Tanto é que o nome da banda foi tirado dos discos
Slaughter On 10th Avenue, do Mott The Hoople, e Diamond Dogs, do
David Bowie. Só que eles não eram rock stars decadentes (como os
grandes nomes do Glam Rock), eram adolescentes durões de um conjunto
habitacional na periferia de Manchester. Talvez por isso, o primeiro
single "Cranked Up Really High", de 77, fosse um punk rock furioso,
e não um rock and roll melodioso como o dos seus ídolos. O segundo
single então é melhor ainda: com o nome de "Where Have All The Bootboys
Gone?" (onde foram parar os bootboys?), este clássico do
street punk pergunta onde foi parar a subcultura futebolística que
enchia a galera de sopapos nos anos 70. Coisa finíssima.
Três anos depois, a faixa foi incluída na clássica coletânea "Oi!
The Album", da qual falaremos mais adiante. A partir do primeiro
LP "Do It Dog Style", em 78, a banda explorou mais suas influências
Glam, com um som mais melódico e mais rock and roll. O LP inclusive
foi produzido pelo ídolo deles, o guitarrista Mick Ronson (Mott
The Hoople, David Bowie). O grande diferencial dos Dogs em relação
a seus contemporâneos (principalmente se vc pensar que eles eram
da mesma cidade que os Buzzcocks e o Joy Division), era que eles
não estavam nem aí para a moda, para a arte ou nada do gênero, eram
apenas moleques de bairro tocando o som que gostavam. Enquanto o
punk era baseado nas roupas ousadas da boutique Sex, eles usavam
calça boca de sino, coturnos e tinham cabelo grande, exatamente
como qualquer moleque inglês de periferia se vestia em 76. Isso,
juntamente com a credibilidade de rua (num disco ao vivo eles agradecem
a galera do prédio), fazem da banda uma precursora do Oi!
Curiosidade: o guitarrista Billy Duffy, que depois seria do The
Cult tocou na banda por uns tempos, e o Morrissey (dos Smiths),
quase foi vocalista.
http://www.slaughterandthedogs.com |
Cock
Sparrer
Uma das primeiras bandas realmente street punk, o Cock Sparrer
cativou a classe trabalhadora com seu inglês cockney, na época
da primeira onda do punk britânico. As dificuldades de conseguir
uma gravadora os impediram de lançar mais materiais no início
dos anos 80, quando o movimento Oi! ainda estava começando.
O grupo foi formado na zona leste de Londres em 1975, originalmente
por quatro integrantes - o vocalista Colin McFaull, o guitarrista
Mick Beaufoy, o baixista Steve Burgess e o baterista Steve
Bruce, que eram amigos de escola desde os 11 anos de idade
e, três anos antes, haviam tocado juntos em bandas cover.
Eles se uniram ao guitarrista Garrie Lammin (primo de Burgess)
e logo começaram a tocar no Bridgehouse Pub, em Canning Town. |
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| O
sucesso do Sex Pistols foi uma oportunidade que, mais tarde, fortaleceria
o som do Cock Sparrer, o que dispertou um grande interesse no empresário
dos Pistols, Malcolm McLaren, que acabou lhes dando uma grande
importância. Em 1977, a banda assiou com a Decca Records (que já
havia lançado uma outra banda Oi! chamada Slaughter & the Dogs)
e gravou seu primeiro álbum chamado "Runnin' Riot", que trazia um
cover da música "We Love You" dos Rolling Stones. Porém , alguns
desentendimentos com a Decca deixou claro que o som de estilo simples,
básico e street da banda realmente não havia agradado; por isso,
o álbum auto-entitulado da banda foi, por alguma razão, lançado
somente na Espanha. Lammin deixou a banda para seguir a carreira
de ator e não demorou para que o já desgastado Cock Sparrer caisse
num buraco sem fundo. |
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No início dos anos 80, bandas como Sham 69, Angelic Upstars
e Cockney Rejects tinham transformado o ideal da classe punk
trabalhadora num subgrupo do movimento Oi! dominado pelo Cockney.
Como precursor desse cenário, o Cock Sparrer começou a fazer
sucesso novamente, principalmente depois que sua música "Sunday
Stripper" apareceu numa coletânea Oi!. Eles começaram a fazer
shows novamente e logo conseguiram uma gravadora que, em 1982,
lançou o hit "England Belongs To Me". O primeiro álbum oficial
do Cock Sparrer lançado em 1982 na Inglaterra, chamado Shock
Troops, tornou-se o álbum favorito do movimento Oi!. Neste
álbum e no álbum Runnin' Riot in '84, de 1984, a banda contou
com o brasileiro Chris Skepis na guiitarra base e Shug O'Neil
na guitarra solo. Porém, ambos deixaram a banda logo depois.
Beaufoy voltou para a banda somente para a gravação do álbum
Live & Loud, lançado em 1987, mas, por causa de mais desentendimentos
dentro da banda e (novamente) com a gravadora, houve outra
quebra. |
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No
final de 1992, o Cock Sparrer foi convidado para tocar num show
no Astoria, próximo a Charing Cross. A presença de cerca de 2 mil
fãs surpreendeu a banda, que se apresentou com o quarteto original
McFaull, Beaufoy, Burgess e Bruce, mais o novo guitarrista rítmico,
Daryl Smith. No início de 1994, a banda lançou Guilt as Charged,
seu primeiro álbum que só continha material inédito, em uma década
sem lançamentos. O EP coletânia Run Away veio em 1995, com gravações
ao vivo e em estúdio; o sucessor de Guilty as Charged, um disco
chamado Two Monkeys, foi lançado em 1997, com rumores de que seria
o último álbum da banda com material novo. Nos anos seguintes, foi
lançada uma leva de coletâneas e gravações ao vivo e a banda continuou
fazendo turnês, inclusive nos EUA em 2000. Em 2001 e
em 2002 o Cock Sparrer se apresentou no festival punk inglês Hollidays
in The Sun.
http://www.sparrer.freeserve.co.uk/main.htm |
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Menace
Principal banda de abertura do Sham, o Menace existiu apenas
entre o final de 76 e 79, mas lançou alguns EPs excelentes,
com um punk rock básico simplesmente perfeito, com letras
que vão desde o realismo do Sham 69 a um humor bastante
cínico. Uma das melhores e mais subestimadas bandas do punk
rock setentista britânico, que sem dúvida merecia estar
junto do Clash, Sex Pistols e Sham 69 no panteão dos imortais
punks. Mas como tantas outras bandas de street punk e Oi!,
o fato de seu público ser em parte formado por skinheads
fez com que a imprensa e as casas de show os boicotassem.
Em vez de renegar seu público, como fez o Sham, o Menace
pendurou as chuteiras. Porém, como a justiça tarda mas não
falha, nos anos 90, graças aos esforços de gravadoras como
a Captain Oi!, a banda passou a ser cultuada no mundo todo,
muito mais do que quando estavam juntos. Tanto é que eles
voltaram a tocar, mas com um novo vocalista, porque parece
que o original morreu.
http://www.menace77.co.uk
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Angelic
Upstarts
Simplesmente genial, perfeito e maravilhoso. Juntamente com os Cockney
Rejects, foram eles que levaram o legado do Sham 69 adiante. Formados
em Sunderland, no norte da Inglaterra, em 1977, foram originalmente
rotulados de Thug Rock ("rock de trogloditas")... Bem, trogloditas
eles eram, mas ao contrário do que era dito na época, eram também
uma banda muito inteligente, politizada e idealista. Seu primeiro
single "The Murder Of Liddle Towers" (1978) contava a história verídica
de um treinador de boxe morto pela polícia e exigia justiça. Não
é preciso dizer que a polícia nunca foi muito com a cara deles.
Da mesma forma, a banda sempre foi abertamente anti-fascista e esquerdista,
o que garantiu a antipatia dos skins de direita, e como se não bastasse,
por terem letras patrióticas e muitos fãs skinheads, também foram
muito incompreendidos pela própria esquerda. Se seus shows não fossem
constantemente interrompidos pelos nazis, pela polícia ou por arruaceiros
comuns, talvez tivessem sido muito maiores.
De qualquer maneira, são uma das melhores bandas da história, e
mereciam muito mais. Desde o início da carreira, quando tocavam
um punk rock perfeito na linha do Sham 69, até o fim da banda, já
com muitas influências diferentes, como reggae (presente em quase
todos os discos) e folk, o Angelic traçou um caminho de rara dignidade,
sem nunca abrir mão da mensagem politizada (mesmo não militando
em partidos ou organizações) e positiva.
Uma história engraçada foi quando eles foram contratados pela E.M.I.
(se não me engano), e, num dia de inverno, estavam em frente ao
prédio da empresa jogando bolas de neve nas pessoas que passavam.
Ninguém parecia se importar, até que o vocalista Mensi acertou um
grandalhão que estava passando, que ficou puto da vida e resolveu
reagir. Mensi deu-lhe logo uma cabeçada e tentou fugir, mas era
tarde demais e teve que sair na porrada com o sujeito. Acontece
que o cidadão era o chefe de segurança da gravadora... A E.M.I.,
sabendo da reputação da banda, havia incluido no contrato uma cláusula
que proibia-os de agredirem fisicamente funcionários da empresa.
E esse foi o fim dos Upstarts na E.M.I.
Só para fazer um paralelo, da mesma forma que o Skrewdriver começou
apolítico e foi caminhando em direção à direita, se tornando porta-voz
dos skinheads de direita, os Upstarts foram indo cada vez mais para
a esquerda, e hoje são considerados os patriarcas dos skins de esquerda
(mesmo não tendo nunca sido uma banda skinhead).
http://www.angelicupstarts.co.uk |
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Partisans
Punk Rock excepcionalmente bom do País de Gales. A banda
começou em 78, influenciada pelos Ramones e pelos Sex Pistols,
mas logo adquiriu uma cara própria, com um punk/Oi! elaborado
e agressivo, que marcou presença em várias coletâneas Oi!.
Ao contrário da maioria das bandas que assumiam o rótulo
Oi! (na maioria das vezes formadas por skins, punks e "normais")
os Partisans eram 100% punks, e tinham orgulho da denominação,
porque acreditavam no significado original do termo (punk
rock de verdade, unindo punks, skins e toda a juventude
sem futuro).
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Segundo
o guitarristas Lealand, "nós não nos importamos em sermos
rotulados de Oi!, apesar de sermos todos punks. Não queremos
segregar punks e skins, é melhor que eles se dêem bem". Ao
contrário de outras bandas 100% punks inicialmente ligadas
ao Oi!, como os U.K. Subs, o Exploited e o Vice Squad, o Partisans
não tirou o corpo fora, sendo um exemplo de que é possível
lutar por um objetivo comum deixando de lado o estilo, as
picuinhas e a pseudo-política.
http://www.thepartisans.org |
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4
Skins
Um dos maiores nomes do Oi!, os 4 skins iniciaram suas atividades
em 1979, Influenciados diretamente pela trilogia Sham/Upstarts/Rejects
e contando com um ex-roadie do Menace na formação. Mesmo com as
inúmeras mudanças de formação (o único membro constante foi o baixista
Hoxton Tom McCourt), a banda se tornou uma lenda, e com sua sonoridade
dura e áspera (bem diferente das bandas Oi! mais melódicas, como
o Cock Sparrer), influenciou tudo o que rolou mais tarde. Uma curiosidade:
nem todo mundo na banda foi sempre skinhead (uma época o guitarrista
era um rockabilly...), o nome é na verdade um trocadilho com a palavra
"foreskin", que significa "prepúcio" (ajuda aos burros: aquela pele
que cobre a chapeleta dos pênis não operados).
A banda acabou em 1984, após 5 anos comendo o pão que o diabo amassou
na mão da imprensa, que não suportava a existência de uma banda
com letras tão "violentas" (hoje em dia, qualquer mega-banda de
gangsta rap tem letras bem piores, e ninguém reclama). A polêmica
em torno deles persiste até hoje. Muita gente diz que eles eram
de direita, outros dizem o contrário... há alguns anos rolava até
um boato que a banda ia voltar em duas versões, uma com os ex-integrantes
direitistas e outra com os esquerdistas.
Parece absurdo, mas tem um fundo de verdade, já que pelas entrevistas
dá para perceber uma certa veia de esquerda no líder da banda, Hoxtom
Tom (que mesmo que não fosse nenhum comuna, também não era nazi
nem a pau). Por outro lado, um dos vários guitarristas, Paul Swain,
tocou posteriormente no Skrewdriver, já da fase nazi. Então tirem
suas próprias conclusões. Só sei que eles gravaram pelo menos duas
músicas ska, o que eu nunca vi nenhuma banda fascista fazer.
A única ideologia que esta emblemática banda tinha realmente é definida
pela seguinte frase, do Hoxton Tom: "Nós não pregamos a violência,
apenas cantamos sobre o que acontece".
http://home.att.net/~HardCoreOi/4skins.htm |
Cockney
Rejects
Há quem diga que os Sex Pistols posavam de malvadões, enquanto
o Sham 69 era uma banda autenticamente das ruas. Fazendo uma
analogia semelhante, se Jimmy Pursey começava a chorar quando
saía porrada nos shows do Sham, quando o pau comia nos shows
do Cockney Rejects, eles desciam do palco e paravam a treta
à força. E se não parasse, bem, a banda também partia para
o boxe. Falando nisso, os irmãos Micky e Geoff Geggus eram
promissores pugilistas antes de formar a banda. Se o Sham
tirou o punk das escolas de arte e das boates moderninhas
e o empurrou até as ruas, os Cockney Rejects (todos Hooligans
do West Ham F.C.) pegaram o punk nas ruas e o levaram aos
estádios de futebol. |
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Ok,
tretas à parte, esta foi a banda que cunhou o nome Oi!, por causa
da música "Oi! Oi! Oi!", de 1980. Um belo dia em maio de 79, os
irmãos Micky e Geoff Geggus encontraram o jornalista Gary Bushell
num boteco e lhe deram uma demo. Gary ficou impressionado com o
punk rock "hooligan" dos Rejects e os apresentou ao já citado Jimmy
Pursey, que produziu o primeiro EP "Flares And Slippers". Antes
de virarem uma banda de hard rock (melhor que a maioria das bandas
punks que seguem este caminho), a banda ainda lançou 3 ótimos LPs,
cujas melhores faixas estão nesta coletânea. O som é mais ou menos
na linha dos Sex Pistols e do Sham 69, mas com um clima meio de
arquibancada de futebol. Os coros em músicas como Oi! Oi! Oi!, War
On The Terraces e The Power And The Glory dão arrepios na espinha.
Torcedores fanáticos do West Ham, chegaram a gravar uma versão para
o hino da torcida do clube "I'm Forever Blowing Bubbles". Indispensável,
definiu um estilo.
http://www.geocities.com/SunsetStrip/1196/rejects.html |
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The
Business
Outro membro do olimpo street punk, o Business se mantém na ativa
até hoje. Eles começaram em 1979, então faça as contas... Também
influenciados diretamente pelo Sham 69, são (na minha opinião)
os maiores herdeiros musicais da banda de Jimmy Pursey. Se no
início eles soavam muito como o Sham (ainda que mais rápidos e
mais pesados as vezes), com o tempo foram ficando mais rock &
roll, o que só acrescentou. Nesses mais de 20 anos de carreira,
a banda gravou clássicos e mais clássicos, sempre com dignidade
e qualidade. Até mesmo os discos atuais deles são bons. Certamente
são a banda Oi! com a carreira mais sólida. Uma coisa engraçada
é que ainda há no Brasil quem os chame de fascistas, sendo que
eles tocam um cover do Crass e já foram atacados por skins nazis
diversas vezes... Ah! E eles são a única banda Oi! que eu conheço
com uma música sobre sabotar a caça.
http://www.oithebusiness.com
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Last
Resort
Mais ásperos e violentos do que os 4 Skins, mais durões que os Rejects
e mais maloqueiros do que todos eles juntos, o Last Resort era A
banda skinhead. Tudo começou quando uma turma de skins que freqüentava
a loja de roupas e discos The Last Resort (em Londres) resolveu
formar uma banda e, contando com o apoio dos donos, batizou a banda
com o mesmo nome da loja.
http://home.att.net/%7Ehardcoreoi/lastresort.htm |
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Blitz
Formado em 1980 (creio eu) em Manchester, por dois punks e dois
skins, o Blitz foi a banda Oi! original que mais vendeu discos.
Os primeiros lançamentos da banda são simplesmente perfeitos.
Hinos punks sobre guerra nas ruas, sempre com o som característico
do baixo e as melodias heróicas combinando com o clima urbano
da música. Apesar do sucesso no hit parade, o Blitz nunca funcionou
muito bem ao vivo, especialmente em Londres, onde eram frequentemente
recebidos a garrafadas... De qualquer maneira, nem um LP horrível
("The Killing Dream", uma tentativa de technopop medonha) conseguiu
manchar a reputação do Blitz como uma das melhores bandas punks
inglesas de todos os tempos. Impossível ouvir clássicos como Razors
In The Night, Nation On Fire e especialmente Someone´s Gonna Die
Tonight (com seu inesquecível refrão: "someone´s gonna die tonight,
oi! oi! oi!) sem ficar com os pelos arrepiados.
http://www.blitzwarriors.com
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Infa
Riot
Como o Blitz, o Infa Riot (formado em 1979) também era formado
por punks e skins, e sua música também tinha um clima bem urbano
e agressivo, com letras sobre tretas. No início a banda teve bastante
apoio dos Angelic Upstarts, claramente a maior influência, tanto
no som como nos ideais anti-fascistas. Este LP, relançado em CD
pela Captain Oi! (com faixas bônus), é certamente um dos clássicos
do punk inglês, e demonstra por quê a banda é vista até hoje como
uma das mais talentosas de sua geração.
Posteriormente, mudaram o nome para The Infas, passaram a tocar
um som mais melodioso (influenciado pelo Clash) e despontaram
para o anonimato. Aliás, é impressionante o número de bandas punk/oi!
inglesas dessa época que mudaram para um estilo mais comercial,
falharam e hoje são lembradas apenas pelo material mais antigo...O
Infa-Riot também é famoso por sua briga com o Skrewdriver no famoso
100 Club, em 1983. Não foi coincidência que pouco depois mudaram
de nome. Infa-Riot é uma abreviação de "In For a Riot" (a fim
de tumulto), e The Infas não quer dizer absolutamente nada, sendo
por consequência um nome menos controverso.
http://www.geocities.com/SunsetStrip/Palms/9303/infariot.html
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Peter
And The Test Tube Babies
Banda punk bem humorada com uma longa carreira de sátira e cinismo,
revelada na coletânea "Oi! The Album" em 1980. Com certeza o material
mais antigo é o melhor, e "Banned From The Pubs" está entre as 10
mais de qualquer fã do estilo. De qualquer maneira, até hoje fazem
um punk rock melódico (diferente do material mais abrasivo do início)
e trampado de qualidade, bom para quem curte um punk mais "na manha".
Se o Last Resort e os 4 Skins representam o lado skinhead/das ruas
do Oi!, o Angelic Upstarts representa o lado "consciente", os Cockney
Rejects representam os hooligans e os Partisans representam os punks
"couro e arrebite", os Test Tube Babies representam os bêbados debochados
e inconvenientes, sempre presentes na cena punk mundial.
www.testtubebabies.co.uk |
Red
Alert
Outra das clássicas bandas Oi! originais. Vindo de Sunderland, na
mesma área dos Angelic Upstarts, o Red Alert seguia a mesma linha
de street punk/oi! consciente. Juntamente com a banda irmã Red London,
eram a ala esquerda do Oi!, e nunca esconderam sua tendência socialista.
Musicalmente influenciada pelos Cockney Rejects e pelos próprios
Upstarts, a banda conseguiu durar muito mais do que a maioria dos
seus contemporâneos, lançando discos até os anos 90, e excursionando
pela Europa constantemente. É, parece que o nordeste da inglaterra
é realmente a terra do Oi! comuna. Procure também o material do
Red London, cujo som é mais roqueiro a política mais explícita.
Nota de rodapé: os Cockney Rejects voltaram e gravaram um disco
recentemente, e na nova formação estão 2 membros do Red Alert!
http://www.redalert1.co.uk/ |
O
que denigriu o street punk? Teria sido a banda Skrewdriver?
Com os Skrewdriver surge a primeira banda oi! convertida em nazi
e assim o chamado white power. Então em 1981 resolve-se organizar
um concerto para provar que o oi! não tinha nada de fascista. As
bandas eram 4 skins, Last Resort e the Business, mas tudo correu
mal e depois de um turco esfaqueado acabou tudo num caos entre skins
e a policia. Mais uma vez a imprensa colocou nas primeiras páginas
os skins como sendo nazis...algo que se foi tornando habitual. Nos
anos 80 nada de muito importante a realçar. Surge a S.H.A.R.P. (skinheads
against racial prejudice - skinheads contra o preconceito racial),uma
rede mundial de skinheads anti-racistas que foi levado para Inglaterra
por Rody Moreno, vocalista da banda oi! The Oppressed. Hoje em dia
há sessões da SHARP por todo o mundo. Mais recentemente surgiu também
a R.A.S.H.(Red and Anarchist Skinheads - skinheads vermelhos e anarquistas).
Skrewdriver
Calma, não se desesperem! Antes de se tornar o maior instrumento
de propaganda nazista depois de Goebbels, o Skrewdriver foi uma
excelente banda de punk rock sem nenhuma inclinação política definida.
No começo a banda ainda tocava um característico punk rock com influências
claras do rock inglês dos anos 60 (Stones, The Who). Letras sobre
brigas de rua (street fight) e até uma contra as drogas ("You´re
So Dumb"). Nem preciso dizer que a elite punk londrina não foi muito
com a cara deles, imagine, uns caipiras do norte falando mal de
heroína, onde já se viu... Enfim, muito diferente do Hard Rock de
letras nazis que os deixou famosos.
O Skrewdriver (cujo vocalista Ian Stuart Donaldson havia sido skin
nas antigas, como Jimmy Pursey) fez o caminho inverso ao Sham 69,
e conforme viram os skins ressurgindo e o punk se enchendo de posers,
rasparam a cabeça se tornaram a primeira banda 100% skinhead. Adivinhem
o que aconteceu? Não conseguiram mais tocar em lugar algum e foram
demitidos da gravadora. Frustrados, em 78 fizeram as malas e voltaram
para sua cidade natal, Blackpool. Em 79, reagruparam a banda em
Manchester e lançaram o EP "Built Up, Knocked Down", e após alguns
shows pela cidade, a fama de direitista acabou com a banda novamente
em 1980. É bom lembrar que até aí o Skrewdriver não era ligado a
nenhuma organização política, e se os membros da banda tinham alguma
posição ideológica, ela não aparecia nas letras e não era ligada
à banda em si.
Pois é, mas novamente desgostoso com a vida, após mais um fracasso,
Ian Stuart voltou mais uma vez para sua cidade natal, onde entrou
no National Front (partido fascista britânico), e ficou militando
por uns tempos até o retorno definitivo do Skrewdriver, já como
uma banda que vestia a camisa do N.F. No início de 82, de volta
a Londres a banda lança o EP Back With a Bang. Os rumores sobre
as ligações perigosas com o National Front aumentam, até que após
adicionar no set músicas como "White Power" (Poder Branco) e Smash
The I.R.A. (Esmague o I.R.A.), a banda confirma as suspeitas de
todos e se torna assumidamente nazi. Parece que os membros originais
da banda (alguns dos quais eram esquerdistas militantes) não ficaram
muito contentes com a virada...
A partir daí o Skrewdriver se enfiou cada vez mais no gueto clandestino
da música neo-nazista (de organizaçõs como White Noise e Rock Against
Communism), se afastando do Oi! em todos os sentidos, tanto ideologicamente
(a banda era agora um instrumento de propaganda direitista), quanto
musicalmente (cada vez mais o hard rock e as baladas vão tomando
conta do som). Até sua morte em 1993, Ian Stuart foi uma espécie
de novo Hitler para legiões de Skins Nazis (chamados de Boneheads
pelos skins anti-nazis) pelo mundo afora, e a banda se torna uma
das responsáveis pela proliferação desse bizarro tipo de skinhead.
Difícil acreditar que no começo o Skrewdriver fora uma simpática
banda punk... |
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Conclusão
Mas vamos deixando todo este papo de nazismo e fascismo de lado,
o que sem dúvida nada tem a ver com o punk rock e com o street
punk, QUE FIQUE BEM CLARO!!!
Vale lembrar que hoje em dia algumas bandas seguram firme
a bandeira street, dentre elas destaque para Dropkick
Murphys, US Bombs, Oxymoron, Roger
Miret & The Disasters, Bouncing
Souls, Beerzone
e Argy Bargy, sempre amparadas e apoiadas pelas bandas street
punks das antigas, muitas delas ainda em atividade, como é o caso
do The Business, Cockney Rejects, Partisans, Sham 69, Peter and
The Test Tube Babies, entre outras.
Talvez tenhamos deixado de mencionar essa ou aquela banda, mas
o intuito desta matéria nada mais é do que levar um pouco de informação
às pessoas e deixar claro de uma vez por todas, que o som que
você curte jamais precisará estar associado a partidos, facções,
movimentos, sejam eles de centro, esquerda, direita, machista,
feminista, gay ou o diabo que seja! Curta o som da banda que fizer
a sua cabeça, vá aos shows das bandas que você quiser e não se
preocupe em julgar as pessoas ou as bandas disso ou daquilo!!!
E também nao fique se julgando ou se rotulando, seja você!
Apenas curta sua balada e suas bandas em PAZ e com seus AMIGOS,
os de sempre e aqueles que você puder fazer na vida!!! Afinal,
dentre as várias formas de arte, a música seja a que talvez tenha
como principais características: o entretenimento e socialização
do ser humano! DIVIRTA-SE!!!
Marcio
Faveri - da redação
Colaboração Especial: Pedro Carvalho
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SUPER ESPECIAL SOBRE 25 ANOS DO PUNK!
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