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Especial:
Banda Nacional em Destaque
A cidade de São
Paulo sempre foi tida como referência musical para o resto
do Brasil.
Se tratando de rock and roll, se ela não foi a única
responsável pelo surgimento e divulgação
do movimento, que ocorreu a partir da década de 70, através
de bandas progressivas como Made in Brazil, Secos e Molhados e
Patrulha do Espaço, entre outras, com certeza ela ainda
é a principal marca da manutenção dele.
O
fato é que Sampa tem sido há mais de 30 anos o cenário
mais forte desse estilo de música, acompanhada em alguns
momentos pelo Rio de Janeiro, sul ou nordeste do país .
Mas não é preciso relembrar essa história
, o que importa é falar de uma música que vence
modismos, conquista gerações , forma sua própria
cultura e muitas vezes foi completamente desprezada pela mídia.
Na década de 80 surgiram outras 2 facções
no Brasil, o 'heavy metal'' e o 'hard rock'', sendo que o primeiro
era um tipo de rock mais pesado, de boa qualidade, caracterizado
por fortes expoentes como ''Centúrias'', ''Harppia'',''Korzus''
, entre outros e facilmente reconhecido por seguidores que usavam
camisetas pretas com os nomes de seus grupos favoritos - aquela
blusa black que de tanto uso ficou marrom e acabou virando pijama;
já
os '' posers'' eram os que curtiam hard, um rock um pouco mais
leve e bem trabalhado , cujos principais representantes eram os
grupos'' A Chave Do Sol''; ''Platina'';'' Cherokee''; ''Wander
Taffo'';''Salario Mínimo'', ''Golpe De Estado'',etc. Eles
eram caracterizados por suas roupas coloridas, pelo glamour e
brilho de suas vestimentas, como roupas que ficavam coladas no
corpo, botinhas de cobra, sobretudos 'fashion'', calça
jeans , jaquetas de couro, cabelos compridos e perfumados, além
do uso de alguma maquiagem''.
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Naquela
época era difícil arrumar um local para tocar
e muitas bandas sofriam com isso, sem contar o custo abusivo
de instrumentos importados, já que não havia
material de qualidade no país. Por conta disso, o circuito
vivia mais apagado para o grande público, porém
tão vivo e influente como qualquer banda produzida
pela indústria cultural com o objetivo de fazer sucesso
nas rádios e nas tevês do país. O rock
nacional começava a marcar presença e incomodar
seus adversários. |
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Em
meio às dificuldades, alguns músicos se tornaram
''heróis'' pelo fato de persistirem nos seus sonhos.
A
diferença do rock, é que ele contraria a cultura
de massa imposta pelos veículos de Comunicação,
pois não se dobra , não se rende e nem cria uma
mensagem comercial para atender o desejo dos que controlam o mundo
fonográfico e exatamente por essa razão, sua mensagem
consegue ser transmitida de uma forma sincera e objetiva , seja
através das letras ou da própria música,
consequentemente milhares de pessoas são tocadas.
Essa
vantagem se deve ao fato dos músicos conseguirem
criar e produzir suas composições de uma forma livre
e sem censura, esses detalhes acabam perpetuando e enaltecendo
a voz de muitos jovens que se identificam com a mensagem de conteúdo
que o rock transmite.
Por
outro lado, essa '' liberdade'' dificulta a contratação
de muitas bandas por gravadoras de renome.
Na
década de 90, bons espaços surgiram para os roqueiros.
Acostumados principalmente com o Espaço Mambembe e o Black
Jack, locais como Aeroanta, Britannia , Woodstock e Dama Xoc decidiram
investir no estilo na cidade de Sao Paulo.
Infelizmente
após alguns anos , esses lugares fecharam ou deram oportunidades
para outros tipos de música. Nessa época, o rock
perdeu um pouco do público para a música grunge
de Seattle, divulgada principalmente pelo Nirvana.
Mesmo
assim , através dos anos, a batalha dos artistas nacionais
de rock por sucesso , para ter um espaço legal pra tocar
e até mesmo para mostrar a sua música, colheu bons
resultados.
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| Basta
nos recordarmos de festivais como o Rock in Rio, Hollywood
Rock ou Monsters of Rock que sempre atraíram uma platéia
enorme vinda de todos os cantos do Brasil . Sempre deu para
sentir o impacto do rock não somente em terras tupiniquins,
mas ao redor do mundo. O mesmo ocorre quando grandes nomes
dessa música como Whitesnake, Bon Jovi, Deep Purple,
Aerosmith, Steve Vai ou Kiss se apresentam em casas de shows
em qualquer cidade do planeta. Sem
deixar de mencionar rádios, programas de televisão,
revistas ou jornais especializadosnesse
segmento , que cresceram no país com a entrada do rock
nacional e que conquistam a cada dia, uma fatia maior do mercado
e fãs de diversas gerações. |
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Portanto,
mesmo sem o devido espaço dentro de um dos principais veículos
de comunicação,que é a televisão,
o rock continua dando o seu recado. O
que infelizmente atrapalhava o sucesso dos artistas nacionais
nessa jornada, além do preconceito dentro
da própria música - admiradores de heavy metal não
curtiam hard rock, tampouco respeitavam seus divulgadores e muitas
vezes a recíproca era verdadeira, fãs de trash odiavam
pop e essa seqüência não tinha fim( esse comportamento
raramente era notado em outros países) , é o fato
de muitas vezes os conjuntos não terem se unido musicalmente
ou pior do que isso, a platéia desses shows
valorizava muito mais os grupos estrangeiros do que a produção
nacional.
Conseqüentemente
os investidores continuavam preferindo
divulgar os artistas internacionais, sem mencionar a hegemonia
americana dominante na cultura dos outros países.
Mas
a situação começa a ser revertida a cada
dia. Antigamente era necessário que uma banda fizesse sucesso
no mundo todo pra depois ser querida e reconhecida no Brasil,
como foi o caso do Sepultura.
Hoje
em dia, conjuntos que se tornaram conhecidos de um público
maior como Dr. Sin ou Angra, fizeram nome não só
pelo seu talento, mas também por terem atraído a
atenção devida dos especialistas e divulgadores
de música através das inúmeras bandas de
seus músicos, dos muitos shows e de muitos anos de investimento.
Eles conquistaram a confiança dos que torciam o nariz para
o produto nacional. Com espaço garantido em rádios
e festivais como o primeiro Monsters of Rock, por exemplo,essas
bandas nacionais, juntamente com o Viper, tiveram uma receptividade
do público tão positiva como a que foi recebida
pelas bandas internacionais.
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E
parece que a partir desse momento começou a surgir
uma conscientização nesse sentido. Artistas
que antigamente se tratavam como rivais, hoje começam
a se unir para defender o seu ideal musical.
Fãs de rock estão se orgulhando dos nossos
músicos e finalmente reconhecendo que eles são
tão bons ou algumas vezes até melhores dos
que os artistas internacionais.
E
nem a falta de espaço decente em
casas de shows que antigamente existiam para o rock and
roll ,consegue impedir essa reversão. Locais como
Black Jack, Manifesto, Fofinho e Ledslay ainda apoiam o
rock.
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E
nessa nova leva de apreciação,
uma das vertentes do rock, o hard, volta com força total
após ter ficado alguns anos de '' molho'' e traz consigo
novos talentos, como por exemplo a banda Tempestt, que está
na estrada desde 1999 e luta a cada dia para ser ainda mais reconhecida
e valorizada.
Formada
inicialmente por Edu Cominato,ex- Homeless, (bateria), Leo Mancini(guitarra)
e Fernando Saffi( 1º tecladista), a banda teve outro nome,Riverside,
que durou pouco tempo.
Em menos de 10 dias , o vocalista Bejota ( ex-The Pills, Skyscraper,
e Henceforth)se unia ao grupo e trazia o baixista Kuky, com quem
havia tocado no The Pills . Inicialmente os
artistas se focavam em realizar covers de bandas de rock internacionais,
como Journey, Kansas, Europe, Queen, Bon Jovi e Dream Theatre,
entre outras. Seguem uma agenda lotada de shows em casas noturnas
de São Paulo e do interior . No final de 1999 o tecladista
Fernando Saffi deixa o conjunto por problemas profissionais.
Durante
um dos shows, um produtor de um selo de São Paulo que assistia
o concerto e que se impressionou com o talento dos músicos,
sugeriu que eles criassem material próprio. O grupo gostou
da idéia e como todos tinham consciência de sua criatividade
e competência musical, resolveram lutar por esse sonho.
Decidiram mudar o nome do grupo para Tempestt.
Em
agosto de 2002, o baixista Kuky deixa o conjunto por motivos profissionais
e Paulo Soza( ex- Baliah, Slap on the Face, War Crimes e Big Trouble)
assume o seu posto. O Tempestt já se apresentou ao lado
de artistas renomados ,como Billy Sheeran ( ex- Mr. Big, ex- David
Lee Roth) e ainda foi escolhido para acompanhar Jeff Scott Soto
( ex- Yngie Malmsteen/Talisman/Eyes/Takara) durante sua vinda
ao Brasil em 2002. Soto ficou tão impressionado com a musicalidade
do Tempestt , que não parava de elogiar a banda durante
o show que realizou em São Paulo. O mesmo aconteceu com
algumas pessoas da platéia que viram o espetáculo
e ainda não conheciam o grupo. Bejota, Leo Mancini, Edu
Cominato e Paulo Soza são muito talentosos. Todos possuem
mais de uma banda . Bejota e Cominato ainda têm passagens
pelo teatro e lecionam canto e bateria. Soza leciona baixo. Mancini
faz criações artísticas para jingles, trilhas
sonoras e também é produtor musical.
'Enemy
in You e Lose Control são
as duas primeiras músicas do Tempestt, que
aposta no Hard Rock produzido com qualidade. Outras composições
estão sendo criadas para um futuro CD que deve sair em
2003.
Os
fãs brasileiros já aprenderam a gostar do rock nacional
e a valorizá-lo. Pode-se
dizer o mesmo de muitos veículos de comunicação
que de uma forma ou de outra, ajudam o movimento.
Está na hora de produtores musicais investirem em artistas
de verdade, ao invés de se preocuparem somente com dinheiro
ou com alguns músicos que fazem sucesso, mas que não
têm capacidade nem de criar uma canção , tocar
um instrumento ou cantar sem playback. Está faltando no
mercado donos de gravadoras que se importem com música
e também com profissionais que possam criá-la de
uma forma profissional e sensível. Mesmo depois de tanta
evolução que o rock brasileiro conseguiu através
de 30 anos , ainda faltam pessoas que saibam valorizar, reconhecer,
apoiar, divulgar, ajudar e gravar bons trabalhos nacionais, como
o da banda Tempestt, entre outras. Quem se habilita?
contatos:
Daniela Penna
dani_penna@yahoo.com
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Matéria - Claudia Skobelkin
Arte - Paulo Vinicius
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