Especial

  Lars Johann Yngwie Lannerback nasceu em Estocolmo, Suécia, no último dia de junho de 1963. Naquele mesmo ano, os Beatles acabavam de emergir de Liverpool, na Inglaterra, e estavam prestes a deixar sua marca na história da música. Entrementes, seria somente duas décadas mais tarde que esse sueco de cabelos espetados e olhos famintos poria o mundo da música de cabeça para baixo outra vez.

Os longos anos que se passaram até o dia de fevereiro de 1983 em que Yngwie J. Malmsteen desceu do avião e fincou seus pés em Los Angeles foram o período de maturação de um autêntico prodígio musical.
 
 
 

O casamento entre o pai de Yngwie, um capitão do exército, e sua mãe, uma artista de espírito livre e aventureiro, acabou em divórcio não muito tempo após seu nascimento. Filho mais novo em um ambiente caseiro bastante liberal, ele dividia o lar com a mãe, Rigmor, sua irmã Ann Louise e seu irmão Bjorn. Yngwie (nome que sua mãe lhe deu em homenagem a um antigo namorado) foi uma criança irrequieta e indisciplinada, fascinada por qualquer coisa que envolvesse violência. A música, especialmente tocar um instrumento, era tarefa destinada a perdedores e o jovem Yngwie certamente não se envolveria com isso. Algumas tentativas ao piano e ao trompete logo mostraram-se infrutíferas, sendo que o violão que ganhou de sua mãe permaneceu pendurado na parede e intocado por anos. Até que em 18 de setembro de 1970 Yngwie assistiu na TV um especial sobre a morte do símbolo da guitarra Jimi Hendrix. Foi aí que uma chama ardeu em sua mente. Um Yngwie de meros sete anos olhava fascinado as imagens de Hendrix torturando a platéia com mares de microfonia e sacrificando sua guitarra com chamas e golpes secos. Foi no dia da morte de Jimi Hendrix que o guitarrista Yngwie J. Malmsteen nasceu.

Dedicando sua intensa curiosidade e tenacidade primeiramente a uma velha Mosrite e depois a uma Stratocaster barata, Yngwie submergiu na música de bandas como Deep Purple e passou a dedicar horas e horas de sua vida à descoberta dos sons e dos segredos do instrumento. Sua confessa admiração pelo estilo clássico de Ritchie Blackmore logo o conduziu, com a ajuda de sua irmã, à fonte de tudo aquilo: Bach, Vivaldi, Beethoven e Mozart. À medida que incorporava as influências desses mestres, Yngwie desenvolvia seu estilo. Ele tocava horas e horas a fio, só parando para dormir - e muitas vezes adormecia sobre a guitarra.

Por volta dos 10 anos de idade, Yngwie adotou o nome de solteiro de sua mãe, Malmsteen, e passou a concentrar todas as suas energias na música, praticamente largando os estudos. Na escola, Yngwie era tido como problemático, pois estava sempre envolvido em brigas com pessoas que se "comportavam estupidamente". Seu desempenho escolar era satisfatório somente nas duas disciplinas que o interessavam: inglês e arte. Sua mãe, que muito cedo reconheceu no filho o dom da música, permitiu que ele deixasse a escola e ficasse em casa com seus discos e sua guitarra, de modo que seu domínio sobre o instrumento progrediu livremente. No entanto, o elo perdido entre as estruturas formais da música clássica e o estilo extravagante de Jimi Hendrix só foi encontrado na obra de um outro gênio, o virtuoso violinista do século 19 Niccolo Paganini. Assistindo ao violinista russo Gideon Kremer executar Paganini na TV, Yngwie finalmente compreendeu como casar seu amor pela música clássica com sua técnica absurda e carisma no palco.

Pouco depois de completar 15 anos, Yngwie começou a tocar em algumas bandas, que sempre giravam em torno de seu estilo explosivo, com longas explorações instrumentais que punham à prova os ouvidos e a paciência de um público sueco muito mais acostumado às baladas pop do Abba. Aos 18 anos, o exército tentou recrutá-lo, tendo como base alguns testes de inteligência nos quais o guitarrista apresentou resultados notáveis. Porém, aparentando estar possesso como somente ele consegue ser, no dia de sua apresentação Yngwie apontou uma arma contra a cabeça, dizendo que preferia morrer a servir militarmente. Convencidos, os recrutas o mandaram de volta e ele pôde retornar à música. Numa incipiente versão do Rising Force, Yngwie e alguns amigos gravaram uma demo de três faixas para a CBS sueca, mas o retorno foi nulo.  
 
 
 
 

Frustrado, ele percebeu que teria que deixar a Suécia caso quisesse ir a algum lugar, por isso, começou a mandar fitas demo a gravadoras e contatos estrangeiros. Uma dessas fitas chegou às mãos do então colaborador da revista Guitar Player e dono da Shrapnel Records, Mike Varney. Por intermédio dele, Yngwie foi convidado a mudar-se para os EUA e juntar-se à nova banda do selo, o Steeler. O resto, como dizem por aí, é história.

Construído em torno de Ron Keel, o Steeler foi uma excelente banda de heavy metal, cujo primeiro álbum, hoje em dia legendário, possui alguns momentos memoráveis, como o solo de introdução em Hot On Your Heels. Porém, quando o disco havia se tornado cult, Yngwie já estava no Alcatrazz, grupo de estilo à la Rainbow fundado pelo vocalista Graham Bonnett. Embora o Alcatrazz tenha permitido a Yngwie produzir alguns de seus solos mais incendiários, como Kree Nakoorie, Jet To Set e Hiroshima, Mon Amour, o conjunto também se mostrou um tanto quanto limitador. A única saída era a carreira solo.

O primeiro álbum solo de Yngwie, Rising Force (hoje tido como a bíblia do rock neoclássico) chegou ao número 60 da parada da Billboard, uma marca impressionante para um disco que era praticamente todo voltado à guitarra e que não teve nenhum tipo de apoio comercial. Esse trabalho valeu a Yngwie uma indicação para o Grammy na categoria "melhor performance de rock instrumental". E outras honras vieram na esteira: ele foi votado como grande revelação e melhor guitarrista nas pesquisas de muitas revistas especializadas, enquanto Rising Force arrebatava títulos como melhor disco do ano. Contando com seu amigo de longa data e também grande tecladista Jens Johansson, a banda Rising Force tornou-se um dos mais disputados eventos no circuito de shows de Los Angeles e adicionou um novo verbete ao léxico musical: rock neoclássico. Estilo que ficou ainda mais arraigado no gosto do fã de rock com o lançamento de Marching Out, o segundo disco solo.

O estilo de Yngwie atingiu novas alturas em 1986, com o álbum Trilogy, que até hoje permanece como um de seus favoritos, tanto o aspecto lírico quanto sua performance musical. A essa altura, sua técnica de tocar guitarra, bem como seu estilo de composição, já eram influências inegáveis, como se podia constatar via o surgimento de hordas de clones que tentavam imitar seu estilo, mas sem compreender sua visão musical única. Desprovidas da musicalidade de Yngwie, essas cópias soavam como meros digitadores, sendo que sua existência acabou por trazer uma luz bastante negativa sobre o rock neoclássico.

  No ano seguinte, mais exatamente no dia 22 de junho de 1987, pouco antes de seu 24º aniversário, Yngwie abraçou uma árvore com seu Jaguar, cujo volante foi despedaçado com o impacto de sua cabeça contra ele. A concussão resultou num coágulo cerebral que afetou o funcionamento dos nervos de sua mão direita. Depois de ter ficado em coma por quase uma semana, Yngwie recuperou-se, mas deparou-se com sua mão totalmente inútil para tocar. Apavorado com o fato de sua carreira ter acabado por ali, Yngwie começou uma terapia intensiva que pudesse trazer sua mão de volta à vida, esperando impacientemente que os nervos degenerados pudessem ser recuperados. Nesse meio tempo, contudo, ele ficou sabendo que sua mãe, que tinha sido a grande inspiração de sua vida, morrera vítima de câncer, na Suécia. Para complicar ainda mais as coisas, problemas financeiros deixaram-no virtualmente falido e com inúmeras contas hospitalares a pagar. Porém, ao invés de desistir completamente, como muitas pessoas fariam, Yngwie recompôs-se e voltou à música como sua salvação.
 
 
 
 
 

O resultado foi Odyssey. Apesar de não ser um dos favoritos do guitarrista, o álbum foi aclamado por sua maior acessibilidade e apelo a um público mais abrangente. O single e vídeo Heaven Tonight deu a Yngwie o gosto de tocar nas rádios e puxou as vendas do álbum, que quase chegou ao status de disco de ouro nos EUA. Com o ex-cantor do Rainbow Joe Lynn Turner na formação, a tour de Odyssey trouxe uma nova platéia aos shows do Rising Force, agora não apenas composta exclusivamente por guitarristas. Em fevereiro de 1989, o show foi até a União Soviética, onde ocorreu uma série de concertos esgotados em Moscou e Leningrado. O resultado da viagem foi o álbum/vídeo ao vivo Trial By Fire/Live In Leningrad. Depois dessa experiência, cada um dos integrantes seguiu carreira separadamente e o nome Rising Force foi aposentado.

Para começar essa nova fase de sua trajetória, Yngwie mudou-se para Miami, na Flórida, e recrutou uma banda formada exclusivamente por suecos. Para o posto de vocalista foi chamado Goran Edman (ex-John Norum), cujo versátil estilo tenor adaptou-se facilmente às intrincadas melodias de Yngwie. As outras posições foram preenchidas por músicos não tão conhecidos, mas de excepcional talento: o baixista de orquestra Svante Henryson, o experiente tecladista e arranjador Mats Olausson e o baterista Michael Von Knorring. O primeiro álbum do time, Eclipse, gravado em Miami, provou que Yngwie poderia compor material acessível às rádios, mas sem comprometer seu estilo clássico. Porém, a parca divulgação dedicada ao álbum pela gravadora Polygram fez com que as vendas nos EUA fossem fraquíssimas, embora os discos de ouro e platina no Japão e Europa tenham endossado a decisão de Yngwie de deixar o Rising Force para trás.

A decepção com o selo fez com que Yngwie tomasse a decisão de abandonar a Polygram, naquela que foi uma separação muito longe de poder ser tida como amigável. Como ele sempre diz, as coisas na sua vida parecem ser como fogo e gelo, ou estão muito boas, ou estão muito ruins, sem meios-termos. Assim que a situação ruim com a Polygram foi resolvida, as coisas começaram a melhorar. O novo empresário, Nigel Thomas, trabalhava duro por Yngwie e em março de 1991 um contrato com a Elektra Records foi assinado. O primeiro resultado da parceria foi Fire & Ice, sem dúvida um dos grandes trabalhos do guitarrista. O álbum trazia a tradicional mescla de emoções pessoais com as estruturas clássicas dos heróis barrocos de Yngwie, que nesse álbum finalmente realizou o sonho de gravar com uma orquestra. Isso ocorre nas faixas No Mercy e em Cry No More. Aclamado mundialmente, Fire & Ice foi direto ao primeiro lugar das paradas no Japão e vendeu 100 mil cópias apenas no primeiro dia de vendas. Discos de platina e de ouro vieram da Europa e da Ásia e em junho de 92 Yngwie voltou a Miami para descansar e começar a compor o próximo disco.


Infelizmente, os trabalhos foram interrompidos por uma série de eventos devastadores. O furacão Andrew destruiu Miami em agosto de 92; depois, em janeiro de 93, Nigel Thomas morreu de um ataque do coração; em março, Yngwie foi mandado embora da Elektra; em julho, quebrou a mão direita num acidente e, em agosto, foi preso em virtude de uma falsa acusação, que o levou às manchetes do mundo todo. Porém, em setembro, todas as acusações contra ele foram retiradas e em outubro sua mão estava totalmente recuperada. Um contrato com a gravadora japonesa Pony Canyon foi assinado e uma nova banda foi formada, com Mike Vescera (ex-Loudness) no vocal, Mike Terrana na bateria, Mats Olausson nos teclados e o próprio Yngwie no baixo. Mais tarde, Barry Sparks foi escolhido como baixista da turnê.
 
 
 
 
 
 

O novo disco, The Seventh Sign, foi lançado no Japão em 18 de fevereiro de 1994. A crueza e a agressividade do material fizeram com que o disco fosse imediatamente comparado a uma de suas primeiras gravações, Marching Out. Rapidamente, o álbum atingiu o primeiro lugar das paradas e foi agraciado com platina tripla no Japão. Ao mesmo tempo, a nova gravadora de Yngwie na Europa e nos EUA, a CMC International, trabalhava duro para divulgar o disco, mas encontrou um adversário bastante forte: a popularidade do grunge. Porém, a tour de promoção lotou todos os lugares no Japão e fez bom público nos outros territórios. No Japão e na Ásia, The Seventh Sign foi o disco mais bem-sucedido comercialmente da carreira do guitarrista.

Em setembro e outubro de 94, a Pony Canyon editou dois mini-álbuns, Power And Glory e I Can't Wait, este último com duas músicas inéditas e muitas faixas ao vivo tiradas do show de Malmsteen no Budokan, de Tóquio. Uma versão desse show foi lançada em vídeo no mundo inteiro e, após quase um ano na estrada, Yngwie terminou a turnê em novembro de 1994. A banda voltou para casa para um merecido e necessário descanso. No mês seguinte, contudo, Yngwie começou a concentrar-se na construção de seu próprio estúdio de gravação, que contaria apenas com equipamentos de última geração, e também nas composições que estariam em seu próximo disco, Magnum Opus.

Magnum Opus foi lançado em junho de 1995 e sua turnê de promoção começou no Japão em setembro, cobrindo um impressionante total de 17 cidades e atraindo multidões em todas as datas. Dali, a banda seguiu para a Inglaterra e depois para a Europa continental por dois meses. No meio do giro, porém, Michael Vescera desenvolveu uma bronquite e teve que cancelar sua aparição em cinco shows. Porém, nenhuma data foi perdida, uma vez que o próprio Yngwie fez as vezes de vocalista nas mesmas, embora tenha retirado do set as canções nas quais seu alcance de voz era insuficiente.

No início de 1996, o estúdio pessoal de Yngwie, o Studio 308, ficou pronto. Para inaugurá-lo, o guitarrista chamou velhos amigos e músicos - incluindo Joe Lynn Turner, Jeff Scott Soto, David Rosenthal, Marcel Jacob e Mark Boals - para trabalharem juntos num novo projeto. Por muitos anos, Yngwie manteve em segredo um antigo desejo de gravar algumas das canções com as quais ele havia crescido e que o tinham inspirado, tanto no seu modo de tocar quanto no seu modo de compor. Obviamente, ele tinha em mente a música de gente como Deep Purple, Rainbow, UK, Kansas, Scorpions, Rush e Jimi Hendrix. Com seus velhos companheiros, os irmãos Johansson, fazendo as partes de bateria e teclado, o álbum Inspiration começou a tomar forma. Em abril, as fitas já estavam masterizadas e a arte de capa encaminhada: era uma pintura, feita pelo artista japonês Asari Yoda, que apresentava elementos visuais representando todas as bandas homenageadas no disco.

  Como a banda de Magnum Opus não existia mais, uma vez que seus músicos agora concentravam-se em outros projetos, Yngwie montou um grupo renovado para a turnê, que se mostrou tão entrosado e poderoso quanto qualquer outro com que ele já havia trabalhado antes. Mats Olausson continuava nos teclados, Barry Dunaway (de Trial By Fire) veio para o baixo, o vocalista de Trilogy, Mark Boals, retornou, e o extraordinário baterista Tommy Aldridge, de bandas como Whitesnake e Ozzy Osbourne, sentou-se atrás do kit. A América do Sul foi o primeiro território a ser atacado por esse novo conjunto, com multidões de brasileiros e argentinos lotando os concertos a cada noite. O giro seguiu para os EUA, Japão e Europa, provando que o hard rock melódico de Yngwie não apenas não estava morto como havia encontrado nova vida.
 
 
 
 
 
O próximo projeto de Yngwie também não seria um álbum nos moldes habituais. Após meses de trabalho intensivo, levado a cabo em seu estúdio pessoal, ele produziu seu primeiro trabalho totalmente clássico, Concerto Suite For Electric Guitar And Orchestra In Eb Minor, Op. 1. Em junho de 1997, o guitarrista voou para Praga, onde tocaria ao lado da prestigiosa Orquestra Filarmônica Checa, que acabara de completar 100 anos de fundação. Em três dias de gravações intensivas, com a condução do maestro da Sinfônica de Atlanta, Yoel Levi, Yngwie realizou o sonho de gravar um trabalho seu ao lado de uma orquestra completa. Os fãs, ansiosos, teriam que esperar até 1998 para ouvir os resultados, mas eles não se importaram. Afinal, alguns deles esperavam por isso desde o lançamento do primeiro álbum de Yngwie, em 1984.

Todavia, o guitarrista certamente não iria sentar-se sobre os lauréis da fama. Ele imediatamente voltou a Miami para dar os últimos retoques em seu próximo trabalho de estúdio, Feacing The Animal, que traria na formação ninguém menos que Cozy Powell na bateria. Abarrotado de paixão e dotado de uma intensidade relativamente sombria, Facing The Animal foi efusivamente elogiado tanto pela crítica especializada quanto pelos fãs, que disseram que o disco era um dos mais fortes de Malmsteen em anos. Agora artista da Mercury Records fora do Japão, Yngwie contou com uma bela divulgação inicial do CD. Ainda em 1998, no dia 6 de março, aconteceu um dos eventos mais importantes da vida do guitarrista: o nascimento de seu primeiro filho, Antonio Yngwie Johann Malmsteen.

Infelizmente, quando ainda celebrava a chegada do rebento, Malmsteen teve que lidar com mais um trágico acontecimento envolvendo sua vida. Enquanto se preparava para sair em tour e divulgar Facing The Animal, Cozy Powell sofreu um terrível acidente de carro na Inglaterra, que levou sua vida. Abalado, mas determinado a seguir em frente, Yngwie contratou Jonas Ostman para ser o baterista da turnê e a equipe seguiu para o Japão, América do Sul e algumas datas na Europa e na Inglaterra. Durante uma série de shows no Brasil, novos CD e vídeo ao vivo foram gravados, tendo recebido o simples nome de Yngwie Malmsteen Live! Infelizmente para os fãs, as partes americana e canadense da tour tiveram que ser canceladas, devido à pobre receptividade dos promotores locais e à perda de suporte da gravadora, ocorrida graças à venda da Mercury/Polygram para a Seagram. Assim, sem shows agendados para o futuro próximo, Yngwie voltou para sua casa em Miami para acostumar-se ao seu novo papel de pai.

No início de 1999, ele começou a trabalhar em seu próximo disco de rock, Alchemy. Lançado em setembro de 99, esse álbum deu a muitos dos fãs algo que eles vinham esperando há muito tempo: um retorno às raízes mais pesadas do guitarrista e aos seus temas mais vigorosos. O próprio Yngwie admitiu que fez esse disco sem pensar no seu sucesso comercial, somente em sua satisfação pessoal. O que ele procurava era fazer com que seu estilo de tocar soasse o mais extremo possível, além de também centrar-se em letras falando sobre assuntos de seu interesse, como Leonardo da Vinci. Até mesmo o título tem a ver com essa mentalidade, uma vez que "alquimia" é a mistura da ciência com a mágica. No caso, trata-se da ciência do processo de gravação misturada à mágica da música. Além disso, o nome "Rising Force" voltou a adornar a capa do CD, o que evidenciava o retorno ao som e ao approach de outrora. O vocalista de Trilogy, Mark Boals, também estava de volta e surpreendeu com uma performance perfeita, mesmo Yngwie tendo exigido linhas vocais operísticas bastante complicadas para o disco. Para muitos, Alchemy era o "manifesto da guitarra" escrito por Yngwie para o novo milênio.

No ano 2000, Malmsteen mudou de empresário - saiu Jim Lewis, entrou Michael Spitzer - e assinou com a Spitfire Records. Além de relançar todo seu catálogo japonês nos Estados Unidos, a Spitfire também editou o mais recente trabalho do guitarrista, War To End All Wars, em novembro. A blitz publicitária que o selo armou para promover o CD deu resultado: War To End All Wars é o disco mais bem-sucedido de Yngwie naquele mercado em muitos, muitos anos. A boa recepção fez com que a Rising Force fosse convidada a participar da nova turnê da banda de Ronnie James Dio, que então promovia o álbum Magica. Extremamente vitorioso, esse giro preparou o terreno para um segundo, no qual Yngwie e seu grupo seriam a atração principal em 45 datas pelos EUA. O início foi fulminante, com shows lotados e receptividade fantástica, comprovada pelos muitos comentários positivos dos fãs na Internet. O sucesso, porém, não foi duradouro, já que no meio da tour o vocalista Jorn Lande e o baterista John Macaluso abandonaram o barco, deixando Yngwie sem condições de continuar, o que resultou no cancelamento das apresentações que ainda restavam.

Os fãs ficaram inconsoláveis e a Internet foi o palco de infindáveis boatos acerca de quem e o quê havia arruinado a turnê. Porém, armado com sua típica determinação, Malmsteen deixou os reveses pra trás e imediatamente começou a testar novos músicos para a "War Tour", que começaria em 2001, com novos shows nos Estados Unidos, Japão, Ásia e Europa. A tour logo virá para a América do Sul, com quatro shows no Brasil (25/9 em Porto Alegre, 28/9 em Curitiba, 29/9 em São Paulo e 30/9 no Rio de Janeiro). A formação da Rising Force será a seguinte: Doogie White (ex-Rainbow) nos vocais, Derek Sherinian (ex-Dream Theater) nos teclados, Patrick Johansson (do Stormwind) na bateria, Mick Servino (Ritchie Blackmore) no baixo e, logicamente, Yngwie J. Malmsteen detonando na guitarra!


Fonte: RB/Laser Records

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Site Oficial de Yngwie Malmsteen
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