FESTA DO PORTAL DO ROCK

Shows com as bandas Cólera, Argies*,
Lambrusco Kids e Muerte Lenta*
(*da Argentina).


01/09/2000

 

Show com a participação de duas bandas Argentinas ,ARGIES e MUERTE LENTA, LAMBRUSCO KIDS, banda formada pelo pessoal que faz esse portal, e também os veteranos do CÓLERA.

MUERTE LENTA é uma banda de Buenos Aires formada em 1992 e, como acontece com a maioria das bandas, passou por várias formações tendo como atuais membros, Tano nos vocais, Sebas na bateria, Fabian no baixo e Cruz na guitarra. Segundo Tano, as duas bandas se conhecem há muito tempo e excursionam juntos a mais de cinco anos. ARGIES, segundo Hector Pappa, baterista da banda, é a forma pejorativa como os ingleses chamavam os Argentinos durante a Guerra das Malvinas. São naturais de Rosário, província (para nós estado), de Santa Fé.

A banda teve seu início em 1986. Em 1995 resolveram ir para Buenos Aires e nas palavras de Hector foi quando a banda "tomou uma direção mais forte". ARGIES é formada por David Balbina nos vocais e guitarra base, Gustavo na guitarra solo, Andres no baixo e Hector Pappa na bateria. (Leia entrevistas completas na secção "Entrevistas" ).

A Primeira banda a se apresentar foi Muerte Lenta. A banda toca Hardcore com pitadas de Ska, Reggae e mesmo Rap. O show teve início as 20:30 com o Hangar quase vazio com umas 30 pessoas mais ou menos. O vocalista Tano tem uma boa presença de palco e o resto da banda também agita o tempo todo. Existe uma forte conteúdo de HC dos 80 no som do Muete Lenta. Como acontece geralmente em shows com bandas desconhecidas ou não muito conhecidas, a rapaziada se limitou a ouvir e a observar , passando a falsa impressão de que não estavam gostando, assunto inclusive abordado durante a entrevista com Tano . Fizeram um set de 10 músicas: "Salvación", "Estas Mirando", "Rebelde inteligente", "Estas Muerto", "Falsos Patriotas", "No Voy A Cambiar", "Rassisstass" (escrito desse jeito mesmo, talvez, fazendo uma correlação com a SS nazista, "shock cerebral", fechando a apresentação com "Problems", um cover do Sex Pistols . Resumindo, o Muerte Lenta é uma banda um com grande potencial, muito entrosada e ensaiada e que merecia, justamente como muitas bandas brasileiras e latinas em geral, um espaço na mídia, principalmente nas rádios e canais de TV's mas, a gente sabe como essas merdas funcionam.
 
 
 

A segunda banda da noite foi LAMBRUSCO KIDS, conforme citado anteriormente, formada pelo pessoal que faz esse portal e, antes que eu esqueça, patrocinadores do evento. Falei para o Paulo, Baterista do Lambrusco e web designer do portal que, se eu achasse o show ruim, não ia dar mole não pois, afinal de contas, a imparcialidade é o que mais importa e, etc., etc. Felizmente, a banda é muito competente e eu não tive que falar mal dos manos (ufa!). Banda formada em 87, alem do Paulo na batera tem, Márcio no baixo e Marcelo na guitarra. Subiram no palco ás 21:05 e fizeram um set quase só de covers, com músicas do BUZZCOCKS ,RAMONES e TOY DOLLS, entre outras bandas. Do repertório próprio, uma forte influência do próprio Ramones e até mesmo de Garotos Podres, basicamente Punk Rock. Uma característica importante no Lambrusco e que todos defendem muito bem os seus instrumentos, com destaque para Marcelo na guitarra, com solos precisos e na hora certa. Valeu rapaziada!

 
 
 
 
 
 
 
ARGIES é no bom sentido uma espécie de CLASH Argentino, inclusive com uma versão em espanhol de "White Riot", no CD "Historias & Corridas" de 1996. Entram no palco as 21:45. Baterista arregaçando e David Balbina, o vocalista conseguindo uma grande comunicação com o público. A exemplo do Lambrusco Kid uma banda bem estruturada com bom domínio dos seus instrumentos. Um público de quase 200 pessoas tomava conta do Hangar, algumas rodas de pogo e alguns stage dive.
 
 
 
 
 
 

 

 

O som do Hangar não é grande coisa com os músicos reclamando do retorno e muita microfonia. Um pequeno problema com a afinação interrompe o show por alguns minutos. Fugindo do estereótipo de punk de cabelo curto tanto o baixista como o guitarra solo têm cabelos compridos. Foi a banda que mais agitou o público antes do Cólera. Problemas com o baixo mas era só o cabo. O set foi de 13 músicas, incluindo dois covers do Clash, um de uma banda italiana que eu não sei o nome e um dos Subviventes, banda de punk rock do ABC paulista. Foram elas: "Sin Nada", "White Riot" (versão em espanhol), "Intentando Crecer", "Cerca De La Verdad", "Cuerpo A Cuerpo", "Un Policia Atras", "A Media Asta" (em italiano), "Gabriel" (do Subviventes, com a participação do vocalista do subviventes e Tano do Muerte Lenta), "Roba Tu Alma", "Luna Rossa", "Misericordia", finalizando com "Should I Stay or Should I Go?", claro, outra do Clash. Passa um pouco das 10 da noite quando o Argies sai do palco, deixando a certeza de um grande show.

 
 
 
 
 
 

O cólera é uma espécie de referencia dentro do cenário punk brasileiro desde os seus primórdios. Juntamente com Inocentes e Olho Seco, entre outras bandas, pode ser considerada uma das pioneiras no gênero. Da formação antiga só ficou o Redson , guitarra e vocal e o seu irmão Pierre na bateria. Uma novidade foi a introdução de um segundo guitarrista o que dá muito mais peso nas apresentações ao vivo.

A rapaziada está impaciente. O Cólera demora para começar a tocar, devido ao tempo relativamente excessivo, gasto na arrumação do equipamento de palco ( praticamente meia hora). Mais ou menos às 23:15 horas. Como é de praxe nos shows do Cólera, Redson inicia a apresentação da banda com um discurso, digamos, panfletário, falando sobre violência, entre outras coisas.

 

 

 

Com certeza eram os mais esperados da noite. Durante mais de uma hora e meia , músicas de toda a carreira da banda inclusive "Paupebrite", uma das mais esperadas. Confesso que eu não gosto de shows muito longos. É cansativo para quem toca e também para quem ouve, ainda mais se o som em questão for o lado mais pesado do punk rock , ou seja, o Hardcore. Mas parece que os fãs da banda não tinham a mesma opinião , uma vez que, agitaram o tempo todo. Quase meia-noite, cansados mas satisfeitos, a preocupação de muitos era sair na correria para pegar o último metro ou o último busão. (Fiquem ligados neste seu portal que, em breve, estaremos promovendo novos eventos.)

Niva dos Santos - Setembro de 2000

Matéria - CÓLERA - 20 anos de Punk Rock de primeira
ZERO 13 BEER - Santo André - SP - 16/06/2000
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