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Museu
Rock & Roll
Sex
Pistols
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"Eu
não preciso de um Rolls Royce, eu não preciso de uma casa no campo,
eu não tenho que morar na França. Eu não tenho heróis do rock.
Eles são desnecessários. Os Stones e o The Who não significam
nada para mim; eles estão estabilizados. Os Stones são mais um
negócio do que uma banda."
Johnny Rotten, Dezembro de 1976
A
história dos Sex Pistols se confunde e se funde com a história
do Punk Rock. Em
1973, os integrantes da banda New York Dolls adentram a Let It
Rock, loja de Malcom Maclaren. O visual absurdo da banda (uma
mistura de glitter e sadomasoquismo) conquista McLaren
e ele vira seu empresário. Em Nova York, percebe o quanto os New
York Dolls estavam datados e deixa o barco.
Apesar
de renegar os Dolls, o empresário trouxe uma idéia bilhante dos
Estados Unidos. Depois de sacar que o que valia no mundo do rock
em 75 era muito mais a atitude do que o som (vide a decadência
dos progressivos), McLaren decidiu "construir" uma banda
segundo seus novos padrões.
Mais
uma vez em Londres, reassume sua loja - agora chamada SEX - e
transforma-a no epicentro do terremoto que sacudiria o mundo pop,
ajudado pela estilista Vivienne Westwood. Segundo o próprio McLaren,
foi ali que ele inventou o punk rock, ou melhor, os Sex Pistols.
Reunir
os quatro Pistols foi fácil: Steve Jones e Paul Cook (respectivamente
guitarrista e baterista) viviam na SEX. Glenn Matlock - baixista
e balconista da loja aos sábados - foi convocado imediatamente.
Faltava escolher o vocalista.
Depois
de descartar o crítico Nick Kent e o cantor Richard Hell para
a vaga, a banda experimenta um velho freqüentador do pedaço, um
adolescente de dentes podres chamado John Lydon. O teste é feito
na loja, com o vocalista cantando numa jukebox. Johnny,
que nunca tinha cantado na vida antes, foi aprovado por sua postura
e comportamento anti-social, em resumo, era perfeito para a vaga.
Os ensaios começam. Agora a banda se chama Sex Pistols e John
Lydon vira Johnny Rotten (literalmente, Joãozinho Podre).
O
primeiro show acontece em 6 de novembro de 1975, um fiasco inevitável
dado o despreparo da banda. De qualquer maneira, ali nascia o
punk rock. A palavra que dá nome ao estilo não era nova. Muito
pelo contrário. William Shakespeare a usava para qualificar prostitutas.
Séculos depois a palavra transformou-se no adjetivo patra designar
sadomasoquistas. Esperto como sempre, McLaren a escolheu como
nome do estilo que ajudara a forjar - um sinônimo para o lixo
exposto por Rotten e companhia.
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Simultaneamente
ao parto dos Pistols, dezenas de bandas começam a abraçar
o estilo, sobretudo em Londres. A epidemia alastrou-se
com velocidade absurda. O motivo para tanta rapidez era
simples: estava na hora de renegar a mesmice dos paleolíticos
rockstars da época.
Um
mês depois chega às lojas o histórico compacto "Anarch
In The UK". A porrada acertou o alvo - o caquético
império britânico e seus valores -, mas não derrubou por
completo o adversário. Os Pistols ainda eram apenas conhecidos
apenas no gueto de onde surgiram.
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Mas
a televisão encarregou-se de levar o punk aos pudicos lares ingleses.
No dia 1o de dezembro de 76, Siouxsie, os Pistols e outros punks
são os astros de um dos programas de maior audiência da TV inglesa,
levado ao ar às cinco da tarde, a famosa hora do chá, na qual
famílias concentram-se frente à TV. Depois do programa, dois milhões
de britânicos passam a amar ou odiar os Sex Pistols. Motivo: pela
primeira vez na história, a expressão "fuck off" (foda-se)
é dita diante das câmeras. O protagonista da história só podia
ser Johnny Rotten.
Melhor
golpe de marketing impossível. A imprensa caiu de pau no episódio,
detonando os Pistols por completo e, de quebra, levando o movimento
às primeiras páginas de todos os jornais. Dez mil cópias de "Anarchy
In The UK" são vendidas diariamente. Contudo os Pistols são
chutados da EMI em 6 de janeiro de 77. Começava o ano da glória
da banda.
Glen
Matlock nunca se deu bem com Johnny Rotten, apesar de ser considerado
por muitos o melhor músico do grupo. Em fevereiro de 77 as brigas
encresparam - sobretudo no que se referia às suas diferenças políticas
- e Matlock é enxotado. A saída do baixista motivou a entrada
daquele que viria a ser o maior símbolo do punk rock em todos
os tempos, Sid Vicious.
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O
melhor amigo de Rotten era um baixista sofrível que mal conseguia
tocar, por estar o tempo todo chapado com drogas de todo o tipo.
Contudo, sua performance ao vivo e sua personalidade autodestrutiva
deram o toque final na fórmula do grupo. Vicious dá trabalho desde
o início: num dos primeiros ensaios, passa mal e é levado as pressas
para o hospital. Diagnóstico: hepatite causada pelo alto consumo
de álcool e drogas, é claro.
Apesar
de terem cancelado dezenas de shows, os Pistols logo assinaram
um contrato com a gravadora A & M, Aproveitando o jubileu
de prata da rainha Elisabethi II, quando esta completou 25 anos
no poder, a banda solta o compacto de "God Save The Queen".
A canção trazia uma das máximas do movimento punk: "Não há
futuro na Inglaterra."
Em
março, foi a vez da A & M despedir o grupo. Os motivos foram
exatamente os mesmos da EMI, mas desta vez os quatro Pistols e
McLaren embolsaram cerca de 75 mil dólares cada um. Dois meses
depois, a Virgin contratou a banda.
Enfim,
o grupo achara a gravadora perfeita. Dirigida por Richard Branson
- um jovem milionário excêntrico e quase tão maluco quanto os
músicos que contratara-, a Virgin banca todas as brigas dos Pistols,
inclusive o veto da BBC a "God Save The Queen". Numa
das raras entrevistas dadas pelos Pistols na época, Johnny Rotten
explica a revolta de sua banda: "A música precisa dar assistência
a todo esse lixo (a sociedade britânica). A música tem que mostrar
saídas para se vencer a estagnação. Ela tem que ser verdadeira
mas também bem-humorada. E isso não é política."
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O
compacto chegou à terceira posição na parada britânica enquanto
a banda preparava seu tão aguardado álbum de estréia, que
acabou sendo lançado em 12 de novembro: "Nevermind
The Bullocks, Here's The Sex Pistols" ("Abaixo
aos idiotas, aqui estão os Sex Pistols). De repente, a Inglaterra
ficou pequena para o punk rock. |
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No
dia 14 de janeiro os Pistols fazem seu último show, para uma platéia
de 5500 pessoas. Quatro dias depois, no restaurante do hotel onde
a banda estava hospedada, em San Francisco, Paul Cook e Steve
Jones dizem a Rotten que querem acabar com a banda. Pior: McLaren
pensava o mesmo.
O vocalista subiu até o quarto do empresário. Lá, ouviu Mclaren
confirmar a história e ainda expulsá-lo da banda, sob a acusação
de ser responsável pelo fracasso de vários projetos do grupo -
entre eles a famosa vista ao assaltante Ronald Biggs no Rio de
Janeiro, feita por Cook e Jones pouco tempo depois Onde estava
Sid Vicious enquanto sua banda chegava ao fim? Internado num hospital,
recuperando-se de um porre homérico.
Depois
do desmantelamento dos Pistols, o baixista ainda gravou algumas
canções com Cook e Jones, como a absurda versão de "My Way"
e "Belsen Was A Gas", incluídas no filme e disco The
Great Rock N'Roll Swindle.
Vicious
iniciou então uma carreira solo, acabada numa cela de cadeia.
O baixista foi preso pelo assassinato de sua namorada Nancy Spungen,
em 11 de outubro de 78. O fato nunca ficou totalmenter esclarecido:
o corpo esfaqueado foi achado num quarto de hotel, com Sid completamente
chapado de heroína ao seu lado.
O
baixista foi preso imediatamente e só saiu da cadeia depois que
a Virgin bancou uma fiança de 50 mil dólares. Em 2 de fevereiro
de 78, menos de 24 horas depois de sua libertação, Vicious sofre
uam overdose de heroína no banheiro da casa de sua mãe durante
uma festa. Aos 21 anos, estava morto o homem-símbolo do punk rock.
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