Alice
Cooper - Dragontown
No
início da década de 70, o máximo da doideira era fumar maconha e ouvir
ALICE COOPER. Nunca fui adepto de THC, mas ouço o mestre do rock horror
show, desde aqueles distantes anos. Não sou nenhum fanático, mas respeito
o cara e sei que ele é o percussor nessa fatia do extenso rock na roll.
Quando ouvi pela primeira vez esse DAGONTOWN, a primeira coisa que eu
notei foi a sua adesão às guitarras com baixíssima afinação e aos riffs
que lembram muito New Metal. Disco de número 28 (incluído as coletâneas)
numa carreira de mais de 30 anos, ALICE COOPER (que nasceu Vincent Furnier
no dia 4 de Fevereiro de 1948, na cidade de Detroit, Michigan, EUA)
é dono de uma carreira de altos e baixos, para o bem da verdade, mais
altos do que baixos, senão, como sobreviver durante tanto tempo?
Esse disco lembra um monte de bandas (NEVERMORE, PARADISE LOST, por
exemplo), mas é só isso. Com certeza, qualquer fã mínimo de ALICE COOPER,
percebe logo na primeira audição a marca registrada do velho rocker,
principalmente a voz em tom debochado, característica do mestre. Essa
semelhança com outras bandas não significa cópia e sim a capacidade
do nascido Vincent em agregar novas características sem perder o toque
pessoal.
Quando fui ouvi DRAGONTOWN pela segunda vez, procurei acompanhar as
musicas com as letras do encarte. Decepção! É impossível entender aquela
sopa de letras. Tenho escrito sempre que, está cada vez mais enigmático
o conteúdo dos encartes de um CD, dando a impressão que a coisa é feita
para confundir mesmo. Recorri então ao site oficial (www.alicecooper.com)
em busca das letras tentando arrumar uma copia num formato mais inteligível.
Devo dizer que, o site oficial de ALICE COOPER é muito bom, inclusive
com uma homenagem especial a GLEN BUXTON, antigo guitarrista dos primeiros
dias, morto no dia 18 de Outubro de 1997. Mas foi em www.kevpa.com que
eu encontrei o que eu procurava. Letras impressas (13 páginas!), vamos
ouvir.
DRAGONTOWN seria uma espécie de continuação do penúltimo BRUTAL PLANET.
Seguindo a sua verve sarcástica que sempre perturbou e enraiveceu os
americanos, ALICE COOPER, continua falando dos habitantes, personagens,
mortos vivos, desse vasto país, DRAGONTOWN ("Cidade do Dragão"). Da
mesma forma que os mais de 50 anos não amoleceu o grande KILMISTER do
MOTORHEAD, os 50 e picos de ALICE também não o esmoreceu. Ele continua
intenso nas letras, algumas vezes citando nomes e muitas vezes, apenas
sugerindo de forma que não sobre dúvidas sobre a quem se refere uma
determinada música. Claro, ele também continua se auto- ironizando porque,
afinal de contas, ele também faz parte desse gigantesco circo. Com as
letras na mão, as musicas ganham outro contorno e as opiniões mudam.
Fica mais fácil entender o porque de cada arranjo e os porquês das mudanças
vocálicas que variam do trágico ao melancólico. Segue comentários:
1-TRIGGERMAN - Guitarras pesadas, trilha arrastada, riff que gruda na
orelha para falar de um assassino. "Trigger" é "gatilho" em inglês.
"Eu não tenho nome/eu não tenho face/eu não tenho digitais ou DNA".
Crua realidade com final acelerado.
2-DEEPER - "Mais fundo", como se o limite da desgraça não existisse.
Quanto mais fundo alguém chega, mais distante parece o fim desse mergulho.
Guitarras pesadas, teclado hipnótico, belíssimo arranjo.
3-DRAGONTOWN - Se não existisse uma pausa entre a faixa anterior, bem
que essa faixa três poderia ser um apêndice da DEEPER. Arranjos e vocais
semelhantes aos da banda PARADISE LOST no disco DRACONIAN TIMES, principalmente
no refrão, o que não desmerece em nada essa bem trampada canção. Seja
bem vindo, "tão longe quanto você puder alcançar, na cidade do dragão".
4-SEX, DEATH AND MONEY - Trilogia que habita as ruas de DRAGONTOWN,
uma balada emoldurada por uma densa trilha sonora. "Um pouco mais de
carne/um pouco mais de sangue... Sexo, morte e dinheiro/isso é gospel
na cidade do dragão".
5-FANTASY MAN - outra canção pesada e arrastada totalmente politicamente
incorreta. Sabe aquelas mulheres que procuram um "homem de fantasia".
Pois é, ele não existe "por mais que você queira espremer a minha masculinidade".
Numa frase, para não deixar dúvidas, canta ALICE COOPER: "Eu odeio ópera/eu
odeio Oprah (espécie de Hebe Camargo negra, líder de audiência na TV
americana)". Politicamente correto SUCKS!
6-SOMEWHERE IN THE JUNGLE - Outra arrastada que mostra o engajamento
de ALICE COOPER contra as matanças sem explicações que ocorrem diariamente
no continente africano. DRAGONTOWN pode ser em qualquer lugar.
7-DISGRACELAND - GRACELAND é o nome da mansão contos de fadas construída
por ELVIS PRESLEY e que depois da sua morte virou um grande filão caça
níqueis. Rockabilly irônico sobre a trajetória do "Rei do Rock", até
a sua morte prematura, balofo e totalmente dependente de antidepressivos.
Graceland = terra da graça. Disgraceland = terra da desgraça.
8-SISTER SARA - Mais uma habitante de DRAGONTOWN. A freira promiscua,
uma constante no trabalho de ALICE COOPER. Outra arrastadona com corinhos
dominicais e uma excelente colagem de vozes.
9-EVERY WOMAN HAS A NAME - Quando ALICE COOPER fez a sua primeira balada,
muitos dos fãs torceram o nariz, mas com o tempo, muitos passaram a
entender esse tipo de musica, como parte importante de sua obra. Essa
não foi a primeira vez que ele mostrou a sua face "feminista", que começou
com ONLY WOMEN BLEED ("Só As Mulheres Sangram").
10- I JUST WANNA BE GOD - Esse não e um disco rápido. Volta as guitarras
pesadas e arrastadas nessa musica onde ele só "que ser Deus". Auto ironia
sem retoques. Retrato do individualismo que habita a DRAGONTOWN.
11-IT'S MUCH TO LATE - Balada irônica, uma espécie de "mea culpa" tardia.
Pois é, eu fiz muita merda, mas agora e muito tarde para voltar atrás.
12-THE SENTINEL - Rifs grudentos numa espécie de testamento de um homem
bomba qualquer, sem religião, uma mente perturbada, aparentemente sem
nenhum objetivo a não ser ódio puro e obcecado por destruição. DRAGONTOWN
está queimando!
ALICE COOPER não usou uma banda convencional nesse disco, mas vários
músicos convidados. São eles: ERIC SINGER: bateria (atual baterista
do KISS, com vários trabalhos junto a ALICE COOPER), RYAN ROXIE: guitarra,
ERIC DOVER: guitarra (toca na banda GLAMNATION), TEDDY "ZIG ZAG" ANDREADIS:
teclados e GREG SMITH: baixo.
Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock

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