Angra - Rebirth
(Paradoxx Records)

Retorno da banda brasileira de Metal Melódico/Épico mais conhecida no exterior depois da saída de André Matos, agora num projeto chamado VIRGO (leia review). Da banda formada em 92 restaram apenas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, dois exímios guitarristas. Foram agregados à banda Edu Falaschi, que alem de ter gravado dois discos com a banda paulistana SYMBOLS, foi também um dos finalistas na enquête mundial para a escolha do novo vocalista do IRON MAIDEN (e acabou dando no que deu!). Aquiles Priester, o novo baterista, tocou com a excelente banda HANGAR e fez parte dos músicos que participaram das gravações do disco "Nomad" de Paul Di'Anno. O baixista Felipe Andreoli foi da banda METRIS e KARMA, e também participou das gravações do "Nomad" de Di'Anno.

O nome "Rebirth" (renascimento) não podia ser mais apropriado, muito embora esse trabalho conceitual fale sobre uma fictícia estória de destruição e renascimento da humanidade. O trabalho musical e gráfico é primoroso, mostrando que a Paradoxx não economizou dinheiro com a banda. As gravações foram realizadas no Brasil e na Alemanha com a produção de Dennis Ward, baixista e produtor da PINK CREAM 69. Dennis foi também produtor de varias outras bandas.

Musicalmente a banda manteve as suas características, deu uma reduzida drástica no excesso de teclados (que eram pilotados por André), e acrescentou alguns elementos brasileiros, como o maracatu utilizado na faixa 6 "Unholy War". O voz de Edu Falaschi não se rende aos devaneios, comuns nos trabalhos de André Matos, e é melódico sem ser "meloso", tendo grandes momentos nesse "Rebirth", como na faixa sete que da nome ao disco. Baixista e baterista também mostram que não foram escolhidos ao acaso. As guitarras dos remanescentes continua com a técnica e velocidade esperada pelos fãs. Com certeza a banda esta coesa e precisa. Mas técnica não é tudo, não é verdade?!

Num mundo povoado por milhares de bandas perseguindo um mesmo estilo, a mesmice acaba ocorrendo sem muito esforço. O tom épico que as bandas melódicas costumam querer imprimir em seus trabalhos, acabam virando uma chatice de deuses, tempestades, ventos, simplistas lutas do bem contra o mal que não convencem. "Rebirth" parte de um bom tema (também muito explorado) e constrói um trabalho consistente e honesto. Talvez eles devessem ter tido um pouco mais de preocupação em escrever letras mais densas. A descrição da intenção do disco no belíssimo release cria uma ansiedade não totalmente atendida nas letras. É claro que isso não compromete o disco e também, esse "aprofundamento" não precisava ser um espécie de tratado, o que transformaria o disco na praga de CDs duplos que também assolam o mercado com letras quilométricas e vazias. Para finalizar, uma nota especial para a belíssima e ultima faixa, a de numero dez, uma adaptação do Opus 24, Prelúdio em Dó Menor de Chopin.

ANGRA na NET: www.angra.net e www.kikoloureiro.com
e-mail angra@angra.net

(Niva dos Santos)

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