Ayreon- Into The Electric Castle (A Space Opera)
(Hellion Records)

Arjen Anthony Lucassen é o multinstrumentista responsável por quase todas a letras e criador de quase todas as melodias desse Ayreon, originalmente lançado em 1998 pela holandesa "Transmission records". No passado, os velhos bolachões de vinil vinham com a data de lançamento impressa no selo, hábito que as maioria dos CDs de hoje não possuem. É o que acontece com o acima citado, então, não tenho a mínima idéia da sua data de lançamento no Brasil pela Hellion. Mas vamos à música.

Arjen escreveu uma estória onde diversos personagens de épocas, deuses e culturas diferentes, batalham para saber quem vai conseguir escapar do "Castelo Elétrico", um "lugar" situado no "não-tempo" e no "não-espaço", cada um com os seus pecados e virtudes e falando "línguas" incompreendidas, em relação ao todo e vice-versa, justamente devido a esse gap temporal. E Arjen convidou vários competentes e conhecidos artistas para interpretarem esses personagens e também, instrumentistas, não menos competentes e conhecidos. Nessa "Ópera Espacial", temos por exemplo, Fish, ex-vocalista do MARILLION, no papel do "Highlander"; Anneke Van Giersbergen, do GATHERING como a "Egípcia", entre os oito personagens que "aparecem" (alguns só sabemos da voz sem explicitar "quem são?"). Da parte dos instrumentistas , entre os convidados, o fabuloso Thijs Van Leer na flauta, da poderosa banda FOCUS (que esteve no Brasil em Novembro de 2002).

O último projeto de Arjen foi o CD "Star One", de 2001, do qual ainda falaremos. Mas aos 42 anos, pode-se dizer que a sua obra, sempre com o auxílio de ilustres convidados, já é bem representativa (e ele não demonstra nenhuma vontade de parar tão cedo), como "Ambeon - Fate of A Dreamer" e "Ayreon - The Dream Sequencer". Suas influências admitidas são PINK FLOYD, DEEP PURPLE, LED ZEPELLIN e até DREAM THEATER. Mas existe muito mais, tais como JETHRO TULL, só para exemplificar, na faixa 3 do CD 1 (o álbum é duplo), "Amazing Flight", talvez pela flauta de Thijs, lembrando muito Ian Anderson em "Flying Colours" do disco "Broadsword And The Beast". O uso de narrador com certeza vem de um outro grande artista, Rick Wakerman, assim como as linhas de teclados (um dos instrumentos que Arjen toca), e o uso de alguns instrumentos inusitados, alem da qualidade de self-made-man, comum a um outro artista meio sumido da mídia. Estou falando de Mike Oldifield ("Tubular bells"). O metal melódico da influência mais recente também esta em várias faixas.

Mas Arjen também tem o seu lado original, é claro. Tem a capacidade de trafegar entre o "puro" eletrônico (Ambeon) e as guitarras pesadas desse "Electric Castle". O fato de conseguir e saber trabalhar um cast de ótimos artista em cada um dos seus projetos também e extremamente louvável, com ótimos resultados. E ele consegue dosar esse mix de forma precisa, como na quarta do Disco I "The Decision Tree (We're alive)", "Floydiana" e melódica ao mesmo tempo, entre muitas outras excelentes faixas. A quinta que se segue ("Tunnel Of Light"), um outro exemplo desse mix, abre com um teclado que lembra "Black Sunday", faixa do memorável "A" do Jethro, com narração da escola Wakerman, mais uma torrente de memórias e coisas novas.

Esse trabalho pode ser ouvido simplesmente como "músicas" mas, se você souber inglês e tiver paciência e tempo de se sentar e acompanhar as letras no livreto/encarte, com certeza vai apreciar muito mais. Algumas delas, digamos, apelam para alguns clichês meio manjados do tipo "não me ofereça luz quando eu apenas conheço as trevas" mas, perfeição é uma meta buscada apenas pelo goleiro, como dizia o cantor. Por último, empreitada complexa com resultado final excelente, merecendo boas e atenciosas audições. Descubra os sobreviventes. Enjoy!!

(Niva dos Santos)

www.hellionrecords.com

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