Bad Religion - Process of Belief

Mais recente lançamento de uma das lendas do punk rock americano, Process of Relief traz um Bad Religion tentando reencontrar suas origens. Depois do fracasso de crítica e venda do disco anterior, o The New America, lançado no ano 2000, a banda formada por Greg Graffin nos vocais, Bret Gurewitz (guitarra), Jay Bentley (baixo), Greg Hetson (guitarra), Brian Baker (guitarra) e Brooks Wackerman (bateria), volta com tudo com este CD, que desde a primeira faixa, "Supersonic", deixa claro o eterno gosto dos caras pelo hardcore clássico.

Logo nesta primeira faixa também fica claro toda a contestação e atitude que a banda sempre apresentou: "how does it feel to be outstripped by the pace of cultural change? my deeds are senseless and rendered meaningless, when measured in that vein" (como é ser engolido pelas mudanças culturais? meus feitos foram inválidos, quando avaliados nos moldes atuais). Este trecho mostra todo o inconformismo da banda com os caminhos tomados pelo progresso cultural do mundo.

Destaque entre as primeiras faixas do disco fica para a porrada "Can't Stop It", que soa muito com o Bad Rreligion dos velhos tempos, aquele de 1985.

Quanto à explicação para o nome do disco, ela está na faixa "Materialist", que também é uma crítica ao consumismo desenfreado e ao materialismo, onde Greg Graffin canta: "the process of belief is a elixir when you are weak" (o processo de crença é um elixir para quando você estiver fraco). Excelente para uma reflexão do que somos e pensamos.

A faixa "Kyoto Now!" aborda um dos assuntos dos quais a banda sempre se preocupou: ecologia e meio ambiente. Kyoto é o nome da cidade japonesa onde foram assinados vários tratados de proteção do meio ambiente por vários países do mundo. Mas países como os EUA por exemplo, ignoram completamente estes imporrtantes tratados. A letra diz assim: "it's a matter of prescience but not the science fiction kind it's all about ignorance, and greed, and miracles for the blind the media parading, disjointed politics founded on petrochemicals plunder and we're its hostages" (é do conhecimento geral, mas não é ficção científica e sim pura ignorância e ganância, estes milagres aclamados pela mídia, políticos dissimulados lucram no mercado petroquímico e nós somos seus reféns".

O disco ainda tem uma balada mais leve chamada "Epiphany" e outros sons bem ao estilo Bad Religion de fazer hardcore, como "The Defense", "You Don't Belong" e "Prove It".

Bom disco, melhor realmente que o anterior, mas ainda paira aquela dúvida cruel: pra que tantas guitarras numa banda que raramente apresenta solos ou arranjos mais elaborados onde várias guitarras são exigidas? Talvez a resposta seja simples, como os caras do Bad Religion são antes de tudo um grupo de amigos, não tem como dizer não pra mais um guitarrista. (Marcio Faveri)

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