Borderlinerz - Elvis

Elvis é o CD de estréia da banda paulistana Borderlinerz. Pera aí! Que raios é este tal de Borderlinerz? Foda-se se você não sabe quem são ou de onde eles vieram. Não vou ficar aqui falando do passado ou fazendo comparações desagradavéis. Bola pra frente! O que vale é que Zeh (vocal+baixo), Boris (guitarra), Fábio (guitarra) e Emerson (bateria) formam essa nova revelação do rock nacional. Digo REVELAÇÃO sim, com todas as letras, porque eles conseguiram ser uma das poucas bandas a apresentar um CD que por incrível que pareça não se parece com nada que já foi feito e portanto não pode ser rotulado ou mesmo vendido como hard, heavy, punk, pop, ou a puta que o pariu.

Vivemos em uma época em que todos os críticos convencionaram falar de um artista sempre comparando-o a outro, tal como: "a banda faz um som misturando Twisted Sister com Sex Pistols", ou "os caras têm uma pegada muito parecida com Hellacopters, com letras a la David Bowie", ou ainda pior: "eles fazem um som punk-pop com influências de Slayer e Rum DMC". Sinceramente, tocando ou não em uma banda, é horrível ser comparado com alguma coisa, a não ser que você não tenha um mínimo de personalidade.

Isto posto, vou logo avisando, o Borderlinerz traz em Elvis um som estilo "borderlinerz". Rock de primeira, acordes simples, solos mais simples ainda, letras curtas, diretas, talvez retratos da realidade de alguém da banda ou mesmo da sua ou da minha realidade, coisas da vida. Não chega a ser uma inovação ou uma coisa ultra avançada em termos de rock, porque mesmo não se parecendo com nada, eles conseguiram a façanha de se parecer com tudo e certamente irão agradar aqueles que curtem variados estilos de rock.

Dizem por aí, que bandas como Strokes, Hives, White Stripes e mais uma meia dúzia de bandas brasileiras, que "copiam" descaradamente estas citadas, são a nova cara do rock e que, portanto, o rock está salvo. Bullshit!!! Se isso é mesmo verdade, fiquei agora com um nó no cérebro, porque Elvis, este disquinho de 38 minutos e 12 faixas veio definitivamente para deixar claro que o rock precisa apenas ser rock e nada mais.

Destaques do disco para as faixas "Gang Time", "Everybody's Lying", com pegadas fortes e refrãos que grudam como chiclete. A balada "What`s Wrong With The Youth Today" tem uma melodia bem legal e uma letra enigmática. Seria ela uma auto-crítica? A banda também gravou umas coisas diferentes, com dubbing e sampling, um trampo mais eletrônico, como as faixas "White Trash" e "Glue Dub", que são uma espécie de eletro-reggae, se é que existe isso. É interessante, diferente, porém dispensável.

O CD ainda traz uma faixa bônus escondida, a música "Bubble Girl", que foi o primeiro single lançado pela banda na internet. Mas na minha opinião a faixa que resume esta nova e brilhante fase de Zeh e seus comparsas é "Otherside", que tem uma levada única e bastante original. Seu refrão é ótimo e transmite uma energia foda! Se o rock and roll falasse, certamente ele diria: "tired of depression, this is my whole new obsession, I need no more agression, I just need a little action, Oh Yeah!"

É isso aí Borderlinerz, vocês estão mesmo no "otherside". Keep it up!!!

Para maiores informações acessem o site oficial do Borderlinerz

(Marcio Faveri)

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