Cornerstone
- Once
Upon Our Yesterdays
(Hellion
Records)
A
proposta do CORNERSTONE é fazer um “up date”, uma atualização
do “rock clássico”, ou hard rock. O primeiro ponto a favor
da banda é o despojamento, ela não esta preocupada em
buscar uma pretensa suntuosidade musical como é o caso de quase
todas as bandas da safra melódica. Isso não quer dizer
que eles não sejam ótimos músicos, ao contrário,
eles são, e utilizam o seu conhecimento de forma ponderada
e acertada. Nada de grandiloqüências.
A
banda esta no seu terceiro CD, sendo que os primeiros foram – “Arrival”
em 2000 e “Human Satain” em 2002. A formação do grupo
é a seguinte – Dougie White nos vocais, Steen Morgensen no
baixo e teclados; Kasper Damgaard nas guitarras e Allan Sorensen nas
percussões e bateria. O encarte do CD trás fotos onde
eles aparecem “normais”, com cara de “gente comum”, outro ponto pra
banda. Para que se possa situar melhor, a banda tem um pé no
DEEP PURPLE e um pouco de BLACK SABBATH do disco “Born Again” com
o excelente Ian Gillan nos vocais. Acredito que não é
por acaso essas duas fortes referências já que o vocal
de Dougie White é muito parecido com o do Ian Gillan! E o tal
do hard rock atualizado, eles conseguiram alcançar o seu intento?
Sim!
O
CD tem 10 faixas e abre com “Welcome to Forever” com uns riffs de
guitarra que nos remete ao PINK FLOYD do disco “Wish You Were Here”,
na faixa “Welcome to the Machine”, mas só remete, não
copia, hard na sua melhor essência. Um pouco de DIO nos vocais
de Dougie não é exagero de se afirmar. “When the Hammer
Falls” continua no despojamento com qualidade, boa música,
mais um pouquinho de Dio e outra boa referência, a saudosa RAINBOW.
Notem que as coisas correm mais ou menos em um círculo, as
bandas que eu citei até agora, tem músicos que já
participaram em mais de uma delas. Excelente trabalho de guitarra
de Kasper Damgaard. E a qualidade do álbum continua, mantendo
a proposta da banda.
O
uso de solos de guitarra em uma espécie de “background”, meio
no fundo, valoriza os refrões das músicas, como na quarta
“Hour of Doom”. “Man Without Reason” é uma excelente balada
bem nos estilo das coisas boas que foram feitas pelo WHITESNAKE e
lembra também o disco “Stormbringer” do DEEP PURPLE com David
Coverdale nos vocais. Allright people, os caras ainda são os
caras, não estou dizendo que eles copiam. A intenção
é localizar os que não conhecem a banda, como eu já
disse. E seguindo esse raciocínio, a sete “Once Upon Our Yesterdays”
soaria muito bem na voz de Coverdale. “End of the World”, a oito,
lembra um pouco as músicas tradicionais das regiões
nórdicas e um pouco o “moderno” metal melódico com um
belo trabalho de teclado.
“Seja
cuidadoso com os seus desejos porque eu ouvi que os sonhos se tornam
realidade”. Assim começa a letra da nona “Some Have Dreams”,
uma belíssima quase só balada, mais um belo hard oitenta,
sem ser datado, com um elaborado trabalho de guitarra (bem “slowly
hand”, nada do supersônico, algo que virou sinônimo de
virtuose nesse instrumento, coisa que eu não acho), com felizes
variações. Uma das que eu mais gostei. Pra finalizar,
“Scream”, seis minutos e nem um segundo a mais de uma bela canção
sem presa. E assim fechamos um CD totalmente coerente com o que se
propôs. Quer dizer, altamente recomendável, caros amigos,
tanto pela qualidade musical quanto pela coragem de ser “outsider”
em um mercado cada vez mais pasteurizado. Um grande lançamento
da Hellion!
Na NET: www.cornerstonemusic.dk
(Niva dos Santos)

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