Drearylands
- Heliopolis...Or
Just Another Dreary Season
(Maniacs
Records)
A Bahia é a terra de Antônio Cramunhão Magalhães,
padinho, coroné, senhor de engenho político, reinando
acima da casa grande e da senzala da lei desse pobre país Tabajara,
atual aliado do ex-desafeto, agora feito presidente. É também
a terra dos onipresentes Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e Daniela Mercury.
Quem assiste TV (sorry!) e sabe alguma coisa do carnaval bu$ine$$ baiano
e brasileiro, com certeza já sacou meu point. A Bahia é
também uma terra de geografia que surpreende, de um povo maravilhoso,
praias fantásticas, comida fabulosa e várias manifestações
culturais que ainda não foram domesticadas pela mídia
escravocrata. E a Bahia tem rock! Não, não estou falando
desse bullshit tipo Pitty (socorro!), mas de coisas verdadeiras, como
a banda DREARYLANDS!
Mistura
de metal nórdico (doom, goth) com fortes referências de
ICED EARTH e PARADISE LOST, essa banda de Salvador está lançando
o segundo disco depois de um desmonte - ocorrido em meados de 2001,
com a saída de três integrantes, fazendo com que fosse
cancelada uma turnê européia e decretando o encerramento
das atividades da banda em janeiro de 2002, retornando em outubro do
mesmo ano - logo depois de ter lançado o debut, "Some Dreary
Songs and Other Tunes from the Shadow" (ufa!) - Algumas canções
lúgubres e outras melodias das sombras - em 2000, com apenas
um ano de existência. Nesse novo trabalho, "Heliopolis...",
a banda toma um novo direcionamento musical e faz algumas letras em
português. A formação (muito boa!) atual é
- Rafael Sayade (guitarra), Paris Menescal (guitarra), Marcos Cazé
(baixo), Leo Lion Leão (vocal) e Louis (bateria).
O álbum é composto por 10 faixas, sendo que a oito e a
nove - "Someone To Lay Flowers" e "Another Stormy Night",
respectivamente - foram retiradas do CD promocional "From the Ashes"
de 2003. Eu gostei muito do "Drearylands", que apesar de não
fazer um som exatamente original (mas quantos fazem hoje em dia?) e
dar a sensação de que algumas melodias se repetem, formam
um quinteto extremamente entrosado, com músicos excelentes (principalmente
os guitarristas!), com o vocalista "leão triplo" mandando
muito bem em um inglês corretamente pronunciado no seu grave vocal.
A produção musical do CD (Jerônimo Cravo e banda)
é de altíssimo nível, assim como a produção
gráfica. O disco abre com a maravilhosa "New Old Dalliance"
e continua com "The Greatest Show On Earth" (nome de uma banda
que em 1970 lançou um disco chamado "Horizons" e que
esse pobre escriba misteriosamente tem uma cópia!), onde mistura
inglês com português (essa música me lembrou o filme
"Moullin Rouge"), talvez preparando o terreno para o salto
do trapezista vendado, sem rede de proteção, a quarta,
toda em português, chamada "Em Frente Ao Espelho".
Mas
o trapezista fez as suas piruetas e não morreu! A música
é muito boa! As letras (todas de Leo) são introspectivas,
existencialistas, como manda o caminho escolhido. Como eu já
disse, o inglês não é "embromation", e
se você tiver um certo conhecimento da língua vai entender
o que o cara canta sem o auxílio das letras no encarte. Mas,
voltemos às musicas. A quinta "Addiction To War" tem
uma levada pesada e arrastada (comum em quase todas as faixas), "Year
Of The Monkey", a sexta, belíssima, muito Paradise Lost
(mas, e daí?). A sétima, acústica, é mezzo
inglês mezzo português. Essa eu pulo. O CD fecha com a bela
instrumental acústica, só violão, "The Templo
of The Sun". Resumindo meus camaradas, um bom disco, para quem
gosta do estilo, off course. Banda pronta para o Brasil e o mundo!
DREARYLANDS na NET: www.drearylands.com
(Niva dos Santos)

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