Flicts
- Canções
de Batalha
Este é o primeiro CD full dos paulistanos do Flicts. Esperado ansiosamente
pelos fãs, "Canções de Batalha" vem sem dúvida coroar o trabalho desta
que é uma das principais bandas da nova fase do punk rock brasileiro.
Resolvi inverter as coisas nesta resenha e vou começar a comentar pela
última faixa do disco, que pra mim é a melhor de todas. "Paulicéia",
música que encerra o disco, é um hino à cidade de São Paulo e também
uma homenagem da banda à grande metrópole tupiniquim. Seu refrão forte
e marcante gruda na cabeça como uma porrada de soco inglês! Só por esta
música já vale a pena comprar este CD.
A banda amadureceu, tanto musicalmente quanto nas letras. Como toda
boa banda deveria fazer, em suas letras o Flicts não se preocupa em
convencer as pessoas a agirem dessa ou daquela forma, muito menos faz
apologias ou tenta impor ideologias que possam incluir a banda em qualquer
movimento. Arthur (guitarra/vocal), Caio (baixo) e Rafael (bateria),
simplesmente passam suas mensagens, ou melhor, "toques", para que você
que vai ouvir o disco, possa ter uma vida menos sacal e mais divertida.
O CD foi gravado em São Paulo, no estúdio Mr. Som, um dos melhores estúdios
de gravação de punk rock/hardcore do país e foi produzido por Heros
Trench, guitarrista do Korzus e sócio/proprietário do estúdio. A qualidade
do CD está muito boa e pode ser considerado de cara um dos melhores
lançamentos do gênero, nos últimos tempos.
No geral as músicas são simples e diretas, com poucos acordes, poucas
variações e algumas faixas possuem acordes bem parecidos, que são compensados
com arranjos bem criativos. Mas o que diferencia "Canções de Batalha"
de outros CDs nacionais é a energia e vibração, que fazem do disco a
trilha sonora obrigatória de qualquer festa punk rock.
Outros destaques no CD ficam para faixas como "Um Grito Vindo Da Rua",
que é muito empolgante, lembrando muito os velhos tempos do Cockney
Rejects. "Lá Se Vai O Campeonato" narra a triste sina de um time de
futebol, que sofre com a perda do campeonato na cobrança de pênaltis
(parece até o hino dos palmeirenses!). Hooliganismo à flor da pele!
Olê, Olê Olê Olê!!!
"Forjando Intrigas" tem uma melodia muito bem elaborada e uma letra
que toda banda punk rock sempre quer fazer, metendo o pau indiretamente
em tudo aquilo que enche o saco de quem tem uma banda. "Não Me Mataram"
é revolta pura, inconformismo libertário e até um pouco de mania de
perseguição, pra não dizer "síndrome do pânico", numa batida forte e
rápida, que detona os miolos.
Heros Trench também participa do disco, fazendo o solo na balada rock
& roll "Meu Par de Botinas", que é uma das faixas mais legais do disco,
que deixa claro que o Flicts também é uma banda de rock acima de qualquer
outro rótulo que lhe seja conferido.
Os shows do Flicts estão hoje entre os melhores shows de punk rock que
se tem notícia, sempre com muita garra, energia e muita cerveja. Ao
vivo a banda detona e consegue ser ainda mais "rueira" do que no CD.
É isso aí camaradas do Flicts, "que o coração continue batendo, que
as amizades continuem vivendo, que os amores continuem sangrando e que
o coro continue cantando".
Flicts na net: www.bandaflicts.cjb.net
(Marcio Faveri)

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