Helloween - Rabbit Don't Come Easy
(Nuclear Blast)

Novo disco do poderoso HELLOWEEN, os inventores do metal melódico. “Rabbit Don’t Come Easy”, tem 12 faixas e foi lançado no dia 5 de Maio de 2003. A grande novidade desse disco é a participação de Mikkey Dee na bateria, vocês sabe, ele é do poderoso MOTORHEAD. Do disco de 1985, “Walls of Jericho”, que eu considero a semente do que viria a ser o MM atual (com as deturpações inevitáveis), do line-up daquele disco só restaram Michael Weikath (guitarrista) e Markus Grosskopf (baixista). A formação 2003 trás alem dos dois sobreviventes, Sascha Gerstner (guitarrista), Andi Deris (vocais) e Stefan Scharsmann (bateria).

Dei uma olhada no site oficial da banda para descobrir mais informações sobre o Helloween 2003, já que nós recebemos o CD para divulgação e nele não existe nenhuma informação. E no seu site, a banda diz que retomou os conceitos musicais do passado no disco novo. Então, peguei a minha velha cópia do “Walls” de 85, em vinil, para ver se era real. E é verdade, em estrutura melódica, solos e vocais, a banda segue mesmo os padrões semelhantes aos “das antigas”. Mas nesse novo, a banda esta mais coesa e pesada, com afinações mais graves e bem mais técnica, como por exemplo, o participante especial Mikkey Dee, bem melhor que o baterista da época, Ingo Schwitctenberg. As letras do “Walls” também seguem uma temática diferente, como era hábito na época, falando do metal propriamente dito, como a grande “Heavy Metal (Is the Law). Mas “Walls” tem também, grandes pitadas do glorioso NWOBM (Nova Onda do Metal Britânico).

Andi Denis, o novo vocalista (com vocal parecido ao de Kai Hansen), foge da tendência gritante comum nos vocalistas das atuais bandas de MM, com exceções, é claro. O disco abre com “Just A Little Sign”, rápida, riffs matadores, teclados bem usados, Mikkey Dee detonando no pedal duplo, no qual é mestre. “Open Your Life”, a dois, é uma bela canção, com ótimos backings, excelente interpretação de Andi Denis, música que alterna levadas pesadas com rápidas, grandioso trampo de guitarra e, sem dúvida, M. dee massacrando. “The Tune”, faixa três, rápida, muito boa; “Never Be a Star”, faixa quatro, tem uns acordes de cítara (eletrônico?) e diz a letra “Nós somos o que somos e nunca seremos uma estrela”; “Liar”, faixa cinco, tem uns acordes de guitarra no começo que lembra IRON MAIDEN e é muito rápida, com umas paradas; na seis, “Sun 4 The World”, mais citaras (eletrônica?), mistura de peso e velocidade com alguma calmaria.

Alguma coisa de ANGRA também pode ser notada nesse disco (na seis já citada, por exemplo) mas, não vamos nos perder na discussão de quem nasceu primeiro ou influenciou quem, esse detalhe não diminui em nada esse belo trabalho. “Don’t Stop Being Crazy” (Não pare de ser louco) é uma bela balada acústica/elétrica (faixa sete); “Do You Feel Good”, faixa oito, é talvez a mais próxima das levadas do citado “Walls”, com umas pitadas de teclados, Andi exercitando alguns agudos sem exagerar e solos de guitarra usando a técnica das duas mãos.

Mais um pouco de riffs com sotaque de Iron Maiden podem ser ouvidos, depois da arrastada entrada, na nove “Hell Was Made In Heaven” (O inferno foi feito no Céu), belos contrastes vocais numa bela música. Algumas das faixas têm uma entrada meio eletrônica e, a 10, “Back Against The Wall”, tem uma levada pesada, puxada para o hard; Onze, penúltima, “Listen To The Flies”, outra rápida, vários solos e algumas paradas. A mais longa do CD (8:27 minutos), “Nothing To Say”, tem uns riffs que lembram um pouco LED ZEPELLIN mas, só lembram, não é igual, fechando muito bem esse grande “Rabbit Don’t Come Easy”, indicado até para quem é um tanto quanto refratário ao rótulo “metal melódico”. Esse pobre escriba, por exemplo. Mas, como diz uma amigo meu, é preciso diferenciar melódico de meloso.

Helloween
na NET: www.helloween.org

(Niva dos Santos)

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