Holly Tree - The British Punk Classics, Greatest Shits

Talvez o punk rock tenha que esperar outros 25 anos para que possa ser homenageado de forma tão brilhante como foi neste CD tributo feito pela banda paulistana Holly Tree.

Na estrada há alguns anos, com alguns CDs lançados, com fãs fiéis que acompanham a banda por todos os lados onde se apresentam, principalmente fãs femininas, que se derretem quando se deparam com George (guitarra/vocal), Tito (baixo) e Zé (bateria); contando ainda com uma corja de desafetos conquistados por serem a banda suporte do roqueiro Supla e por não terem nascido nos subúrbios de São Paulo (o que parece ser requisito básico para ser um punk de verdade no Brasil), este é o currículo básico do Holly Tree.

 Portanto meus amigos, estamos diante de uma banda adorada e odiada por muitos. Mas deixemos de lado estas picuinhas e fanatismos e falemos apenas do som que estes três punk rockers alucinados reproduziram neste CD.

O disco começa com uma introdução com algumas "supostas" conversas telefônicas entre um "suposto" produtor musical e três "supostos" personagens/dinossauros do punk rock inglês: Billy Idol (ex-Generation X), Joe Strummer (ex- The Clash) e John Lydon (vulgo Johnny Rotten, ex- Sex Pistols). Nas "supostas" conversas, o tal produtor liga para Idol, Strummer e Lydon, pedindo para que eles concedam os direitos autorais de músicas de suas antigas bandas, para que possam ser gravadas neste tributo pelo Holly Tree. As respostas dos "supostos" punk stars, vocês devem conferir pessoalmente.

The British Punk Classics, Greatest Shits, tem 18 faixas do mais puro e visceral punk rock inglês, da melhor de todas as safras, a de 1977. Portanto, ideal para aqueles que pensam que punk rock é somente algo parecido com Green Day, Offspring, CPM 22, bosticétera e tal. Claro que estas bandas têm um pouco de punk rock na essência, mas nada comparado ao tipo sangüíneo das 18 bandas muito bem homenageadas pelos Trees neste disco.

 Vou destacar algumas faixas que me chamaram mais a atenção e que me encantaram logo de cara, na primeira audição. A quinta música, "Bad Time", do Vibrators, está um arraso, com George se superando nos vocais e com uma pegada muito british.

A minha preferida do disco é "Hurry Up Harry", do Sham 69. Isso porque é da banda que está entre as cinco que mais gosto e porque o Holly Tree tocando street punk é uma coisa no mínimo curiosa e no máximo muito foda! Parabéns caras, vocês souberam captar e manter o espírito "pursiano" vivo!

A faixa 10 é "No" e é de uma das bandas mais criativas, talentosas e geniais de todos os tempos, Rezillos (que ao longo da carreira mudou seu nome para Revillos). O destaque aqui fica para o baixo bem colocado de Tito. Imagino que deve ter dado muito trabalho para gravar este baixo, porque o Rezillos teve um baixista chamado D. K Smyth, que foi considerado por críticos de grandes revistas de rock, como Rolling Stone e New Musical Express, como sendo o baixista mais brilhante e energético da história do rock.

"Pick Me Up" é a faixa 11. Essa maravilha de música é de uma banda que na verdade foi um projeto de banda, chamada New Guitars, que tinha em sua formação, músicos das bandas inglesas The Lurkers e The Boys, que dispensam apresentações. Basta dizer que nessa banda tocavam juntos duas feras do punk rock mundial, Honest John Plan (The Boys) e Pete Stride (The Lurkers). A versão feita aqui pelo Holly Tree foi uma lembrança justa e honrosa para estes dois gênios citados acima.

Outra faixa a ser destacada é a número 13, "Do Anything You Wanna Do", da banda Eddie and The Hot Rods. Acho que toda e qualquer banda que pretende fazer um som punk rock estilo 77, deveria ter como princípios básicos bom conhecimento e influência desta magnífica banda inglesa, que está na ativa até hoje, com mais de 25 anos de carreira. Esta música já tinha entrado no tributo que a banda alemã Die Toten Hosen gravou nos anos 90, chamado "Learning English, Lesson One" e também foi gravada em forma de versão para língua portuguesa, pela banda paulistana Lambrusco Kids, em seu CD de estréia, lançado neste ano. Mas esta versão feita pelo Holly Tree conseguiu captar a forma do original e acabou saindo com uma melodia sensacional e envolvente.

Finalmente, fechando as minhas preferidas deste CD, destaco a faixa 16, "Male Model", da banda Undertones. Tocar ou gravar qualquer coisa desta banda é para poucos. Muitos que se arriscam a fazê-lo acabam pagando mico. Mas os Trees detonaram novamente com seu "punch" e estilo inglês de tocar punk rock.

As faixas deste CD são: 1- Intro, 2- Liar (Damned), 3- I Don't Mind (Buzzcocks), 4 - Alternative Ulster (Stiff Little Fingers), 5 - Bad Time (Vibrators), 6 - Frustration Paradise (Carpettes), 7 - Hurry Up Harry (Sham 69), 8 - In The City (The Jam), 9 - Come On (Chelsea), 10 - No (Rezillos), 11 - Pick Me Up (New Guitars), 12 - Living In The City (The Boys), 13 - Do Anything You Wanna Do (Eddie and Hot Rods) 14 - Crash Course (UK Subs), 15 - Hit Me (999), 16 - Male Model (Undertones), 17 - Oh Bondage Up Yours! (X-Ray Specs), 18 -Viva La Revolution (Adicts).

"Come on, come on, hurry up Harry, come on". Isso é o que você que está lendo esta resenha deveria fazer agora: sair correndo e comprar logo este CD do Holly Tree!!! Hurry up man!!!

Holly Tree na net: www.hollytree.com.br

(Marcio Faveri)

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