ICED EARTH - Alive In Athens

Quem diria que os Estados Unidos da América, o país das babas musicais, pudesse gerar uma banda tão fudida quanto o ICED EARTH! Não que não existam bandas americanas muito boas mas, ultimamente com o advento dos Korn da vida, com o pomposo nome de "New Metal", está difícil encontrar alguma coisa que preste. O debut da banda se deu em 91 com um CD homônimo. Em seguida, em 92, seria a vez do "Night of the Stormrider". Com um intervalo de três anos, em 95 sairia "Burnt Offerings" e marca também a entrada do ultra-fudido vocalista Matthew Barlow e do não menos poderoso Rodney Beasley na bateria. Meio que cabalisticamente, se é que essa besteira existe, esse terceiro álbum trouxe com ele o terceiro vocalista e o terceiro baterista da carreira do Iced Earth.

"The Dark Saga", o quarto álbum, lançado em 96, é um álbum conceito, baseado no personagem de quadrinhos SPAWN, criado por Tod McFarlane, o homem que vendeu a alma ao demônio, para poder voltar para o seu grande amor na Terra. "Days of Purgatory"de 97 é uma coleção de músicas criadas entre 86 e 94, inclusive alguns remix. Com 13 faixas, "Something Wicked This Way Comes" é o petardo de 98 seguido desse "Alive in Athens".

De formação inconstante, esse trabalho ao vivo conta com Jon Schaffer e Larry Tarnowski na guitarra, sendo o segundo, solo. No vocal o já citado e fantástico Mathew Barlow, James MacDonough no baixo, Brent Smedley na bateria e Rick Risberg nos teclados. Gravado nos dia 23 e 24 de Janeiro de 1999 no "The Rodon Club" de Atenas, Grécia. Num release da banda que pode ser encontrado no site oficial (www.icedearth.com), consta que o material gravado, mais de três horas, foi editado em três CDs. Entretanto, o material que chegou até as minhas mãos, consta de um único com 10 músicas.

O ICED EARTH é uma das bandas rotulada como Metal Melódico, mas é muito mais do que isso. Muitas vezes a riferama da banda soa como o bom ANTHRAX, em palhetadas firmes e vigorosas cavalgadas. O vocal não tem nada a ver com aquela gritaria pseudo clássica muito comum em bandas desse naipe. O teclado não soa pretensioso e muito menos pomposo e é utilizado de forma "econômica" e nos momentos certos com predominância das guitarras, como deve ser numa verdadeira banda de Heavy Metal. A primeira música "Burning Times" abre com trovoadas apontado a tempestade eminente. A segunda "Vengeance is Mine", talvez seja um exemplo dessa pegada a lá Antrhax que eu citei anteriormente. Os solos não soam pegajosos ,como é o caso da maioria dos guitarristas da "nova safra" que se preocupam muito com a velocidade e esquecem o felling e o punch e, têm um quezinho de PARADISE LOST, se vocês me permitem mais essa comparação. E isso na deprecia de forma alguma a banda, ao contrário, engrandece. A terceira "Pure Evil" é a minha preferida, com o baterista Brent debuiando no pedal duplo. Essa música mistura momentos de pura porrada com incríveis passagens melódicas. Algo que valoriza muito um disco ao vivo é a participação do público e ele é presença constante nesse disco.

Não poderia deixar de comentar o espetacular trabalho dos produtores que acompanham a banda desde o primeiro trabalho: Jon Schaffer (que é um dos fundadores da banda e um dos guitarristas) e Jim Morris. Na introdução da quarta "My Own Savior", guitarra e bateria parecem uma carreta Scania sem freio numa descida. Precisão é o mínimo que se pode falar desse e dos demais trabalhos nesse magnífico ao vivo.

As outras faixas do álbum são: "Melancholy (Holy Martir)", uma belíssima "balada"; "Dante's Inferno" com destaque para a voz grave de Matthew e o primoroso arranjo com direito a sinos (aliás, uma constância em quase todas as músicas, criando uma referência muito interessante no trabalho do grupo). A guitarra do IE também soa grave o tempo todo numa afinação baixa que dá um peso descomunal ao som ( O acordoamento deve ser de 011 pra cima). Quando as duas guitarras trabalham em cima do mesmo riff, la vai mais uma referência, por alguns instantes, a impressão que se tem é de estarmos ouvindo um IRON MAIDEN turbinado! O vocal, durante "as paradas" também lembra um pouco o ícone Bruce Dickinson. É a musica mais longa desse ao vivo com nada menos do que 16:23 minutos do mais autêntico, honesto, poderoso e etc. - Heavy Metal!

O disco segue com "The Hunter", "Travel in Stygian", "Slave to the Dark" e a última "A Question of Heaven". E é só. Só?? Off course not!! Pois é, mais de uma hora de uma banda ainda pouco conhecida do público Brasileiro. Então, aqui vai um pedido: Alguém, em nome de Odin, traga imediatamente o ICED EARTH para uma turnê no Brasil! De "Terra congelada" eles não têm nada, mas pura lava incandescente! Enquanto isso não acontece, você, corra imediatamente para a sua loja favorita e compre esse disco. Vai ser um dos melhores investimentos da sua vida. Dou a minha palavra! Antes que eu me esqueça, o próximo álbum da banda sai dia 26 de junho e vai se chamar "Horror Show", com músicas falando de personagens clássicos da literatura de terror, tais como Drácula e Frankenstein.

Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock

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