John Hammond - Wicked Grin

A idéia de ter a lenda do blues, o veterano John Hammond, participando de um álbum de músicas escritas e produzidas por Tom Waits, torna as coisas tão agradáveis aos ouvidos quanto o que já está no papel.

Hammond consegue facilmente tocar o coração de Waits com sua batida blues. "Heartattack and Vine" e "Big Black Mariah" são exatamente a cara de Hammond. Já o grito excêntrico e original de Waits dá um ar gracioso à autoridade discreta da voz e da guitarra de Hammond. Porém, o produtor consegue destruir tudo que é conveniente e complacente de acordo com o formato blues.

Wicked Grin parece muito com Time Out of Mind de Bob Dylan, com a forma moderada do teclado de Augie Meyers - mixado à parte em ambos os álbuns, como se ele estivesse tocando num piano bar, ao lado da banda. Os dois sons novos de Waits são verdadeiros knockouts. "2:19" traz cada curva do padrão hoodoo de Hammonds, mas "Fannin Street" traz algo mais.

É um mix de balada country e lamentação Celta, que clama e consegue uma suavidade desconhecida da garganta profunda de Hammonds. Ele consegue encontrar coisas novas no material mais antigo de Waits, além de tornar a fala de "Shore Leave" um tango bem longo. O que faz de Wicked Grin um esplêndido álbum blues nada tradicional é a atuação de Waits e Hammond em "Murder in the Red Barn". No Bone Machine de 1992, Waits cai de cabeça na música como um homem que possui um terrível segredo.

Quando John Hammond canta, é como se estivesse revelando este segredo guardado por várias gerações. 

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