King
Diamond - Abigail
II, The Revenge
King Diamond nasceu na Dinamarca como Kim Bendix Petersen no dia 14
de Junho de 1956. Começou sua carreira musical com guitarrista em 1973
numa banda chamada BRAINSTORM. Em 1978, deixou essa e se juntou a uma
outra de nome BLACK ROSE, já como vocalista. O "personagem" King Diamond
ganhou forma nessa época, através do uso de maquiagem, inspirado em
ALICE COOPER, após assistir ao show "Welcome To My Nightmare" de 1975.
Em 1980, King abandona a Black Rose e se junta a uma banda de Punk-Metal
chamada BRATS. Depois de alguns meses, King demite parte da banda, que
formariam a DANGER ZONE. Tempos depois, eles chamariam King e os remanescentes
da Brats para produzir a primeira demo do grupo. Desse encontro, nasceu
a oportunidade de Hank Shermann, Michael Denner , Timi Hansen e King
Diamond trabalharem juntos novamente. Kim Ruzz foi chamado para assumir
as baquetas. Nascia então o MERCYFUL FATE.
"Melissa" foi o primeiro álbum gravado pelo grupo em 1983. Em 1984 é
lançado "Don't Break The Oath". Novas tretas internas levam o Mercyful
a um fim prematuro (retornando em 1993). "Fatal Portrait" de 1986 é
o primeiro álbum solo lançado por King. Haviam algumas musicas encadeadas
mas ainda não era um álbum conceito, o que viria a ocorrer com os demais
lançamentos de King Diamond. "ABIGAIL" foi lançado em 1987. Nascia uma
das mais criativas e tétricas estórias jamais contada nas hostes do
Heavy Metal. King conta/canta nas nove faixas do disco, a maldição de
Abigail La Fey, a bastarda que foi morta antes de nascer (sua mãe foi
empurrada escada abaixo nos últimos dias de gravidez). Quinze anos depois,
"Abigail II, The Revenge".
ABIGAIL II - No primeiro álbum, Mirian Natias e Jonathan La fei chegam
a mansão La Fey, que entre outros segredos, mantém um a cripta onde
esta enterrada Abigail. Eles chegam para tomar pose da mansão herdada,
habitada por fantasmas que não conseguem o descanso eterno. Mirian é
engravidada e o seu corpo é tomado pelo fantasma de Abigail. A gestação
dura uma noite. Jonathan enlouquecido a atira escada abaixo. Mirian
morre durante o parto e Abigail, reencarnada, é levada para um mosteiro.
Abigail II começa com a volta da mesma para a mansão, onde ela vai procurar
a mãe e também se vingar de Jonathan que ainda habita o lugar.
A musicalidade do álbum é fantástica. Diamond usa e abusa dos seus impressionantes
dotes vocais para encarnar os personagens descritos no disco. Na verdade
é uma ópera cantada por um homem só. Os músicos são excelentes e parte
importantíssima desse magnífico trabalho (Andy LaRocque e Mike Wead
nas guitarras, Hal Patino no Baixo e Matt Thompson na bateria). Abigail
II é formado por treze musicas, quatro a mais que o primeiro. King não
deixa pontas e tudo se encaixa. Sinto dizer isso mas, apesar do disco
ser musicalmente excelente, é importantíssimo entender o que King canta
para que musica e estória possam ser saboreadas por inteiro. Alguns
momentos são tétricos acima do normal (já que o CD inteiro tem essa
conotação), com choro de crianças desesperadas, provocando medo, tristeza
e assombro em quem ouve.
AS FAIXAS - Trovões, "Spare This Life", a faixa um, começa com uma narração
de O'Brain, um meio irmão de Abigail e também um dos "The Blackhorsemen",
espécie de vigias do material e do imaterial. "The Storm", a dois, Abigail
chega à mansão durante uma tempestade, através de uma sombria florestas.
Trabalho instrumental intricado, guitarras soberbas, King detonando.
Em "Mansion In The Sorrow" (três), Abigail, assim que entra na mansão
é tomada por "The Little One", simplesmente o espírito da sua primeira
encarnação. A voz de King em certos momentos parece com a daquele que
o inspirou na maquiagem, Alice Cooper. A faixa quatro ("Mirian"), começa
com um teclado que lembra um filme de Hitchcock. Feche os olhos e sinta
o filme. Musica primorosa! Abigail chega até uma figura em cadeira de
rodas que a confunde com Mirian. Sim, Jonathan!
"Posso te chamar de Mirian?", pergunta a sombra. "Mirian ou Abigail,
está ótimo" responde a visitante encharcada. "Little One", quinta faixa,
um espírito de criança grita pela mãe numa mansão em sombras. Pergunta
Abigail para a voz na escuridão: "Garotinha, diga-me quem você é?".
Responde "Little One": "Eu sou o seu espírito gêmeo de anos passados".
Incursões precisas de guitarra ajudam a espessar o clima, que faixa
por faixa, envolve até a medula o incrédulo ouvinte. Em "Slippery Stairs"
(seis), Abigail desce até a cripta do seu "espírito gêmeo", "onde ele
descansa durante o dia" e sai à noite "procurando pela mãe". Mais aulas
de guitarra de Andy e Mike. A musica termina com um choro que incomoda
e que parece não acabar nunca.
"The Crypt", faixa sete, Abigail esta de novo na cripta. Algumas passagens
dessa musica, o trabalho de baixo principalmente, lembra um pouco o
grande IRON MAIDEN da época de D'Ianno nos vocais. A vingança de Abigail
começa na faixa oito, "Broken Glass". Vidro misturado na comida de Jonathan.
E continua na nove "More Than Pain". Grita Jonathan, "O que esta errado
com você Mirian? Eu estou ferido, por favor ajude-me". King mostra tudo
que sabe e um pouco mais.
A décima "The Wheelchair" é a melodicamente mais bonita do álbum na
minha opinião. É uma espécie de faixa síntese onde muita coisa do enredo
é explicado. Se fosse num filme, seria aquela parte que você não pode
perder de jeito nenhum se não quiser boiar quanto ao desfecho. Eu não
vou contar o final do "filme" mas na onze "Spirits", tudo já se concretizou.
Mas a "purificação" implica quase sempre em muito fogo! Vitima e algoz
se confundem, o mal e o bem se fundem em uma coisa só. Mais choros nervosos,
a voz do mestre lembra de novo Alice Cooper e o baterista, que eu ainda
não citei, continua mais preciso do que nunca. Passagens melódicas de
guitarra se misturam com outras em clima de suspense. Uma criança continua
chorando e gritando pela mãe na doze "Mommy". Magnífico solo de Mike!!
Os narradores se confundem. Quem está falando? E a criança ainda chora!
Será que o espírito encontrara o caminho de volta para casa??!
Como toda boa estória de suspense, algumas respostas são dadas mas algumas
outras ficam sem. Teria chegado ao fim a saga de Abigail? A acriança
que ainda grita pela mãe na treze e ultima "Sorry Dear" não confirma
nem desmente essa proposição. Uma voz misteriosa se desculpa mas, no
final, essa mesma criança diz "Eu gosto do escuro agora". O grande mestre
deixa pegadas, faíscas de pão para o ouvinte, no caso de um possível
recomeço. Insisto na pergunta, a saga de Abigail continuara? Se a resposta
for afirmativa, tomara que ela não demore mais quinze anos para ser
retomada!
(Niva dos Santos)
www.sumrecords.com.br

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