Looper - Up a Tree/Geometrid

Stuart David, membro fundador do LOOPER foi até o ano 2000, baixista da banda BELLE & SEBASTIAN, sendo também um dos seus fundadores. Só esse detalhe já deixa bem claro que a musica feita pelo LOOPER não é para todos, ainda mais se considerarmos que a banda faz musica eletrônica, que para muitos não é musica mas, nós sabemos que não é bem assim. Se a criação desse tipo de "som" fosse apenas uma colagem de teclados, samplers, vocais e ruídos, por certo teríamos milhares de grupos dentro desse quesito, como de fato existe. Só que, poucos são reconhecidos como tal. Por outro lado, existem milhares de bandas utilizando instrumentos convencionais mas, sabemos que, também ai, ocorre o mesmo e poucos são reconhecidos, muito embora, muitos desses não reconhecidos, possuem qualidades mas, infelizmente, o mercado é viciado e justiça não é um termo muito utilizado nesse meio.

O LOOPER surgiu em 1977 depois da apresentação de um trabalho multimídia numa escola arte de Glasgow, Reino Unido, criação de Stuart e um amigo. A musica do grupo não é a porrada de um CHEMICAL BROTHERS, por exemplo. A base é quase sempre uma levada lenta com alguns ruídos e o vocal quase falado, ou simplesmente falado, herança do Belle & Sebastian. O primeiro disco "Up A Tree" é perceptivelmente mais experimental que o segundo "Geometrid". Até o chiado dos velhos vinis foi mantido nele. É um disco que pode até freqüentar as pistas dos amantes do estilo mas, aquela coisa de pista pequena sem muita euforia, mais intimista. A marca/herança "B&S" citado nesse parágrafo, é claro, já se faz presente. É um CD com dez faixa, como também seria o próximo. Pode ser preconceito da minha parte mas, muitos daqueles que são fanáticos por musica criada na base do chip, têm a péssima mania de olhar para os demais mortais, brandindo ares de intelectual, quilômetros acima da massa ignara. Esqueça as posses. Musica é gostar ou não.

Seria besteira dizer que "Geometrid" é totalmente diferente do primeiro mas, é obrigatório admitir que o bolo deu certo e que agora a continuação exige critérios um pouco menos caseiros para que a coisa continue dando certo. Esse disco mantém a prescrição citada acima, é um pouco mais "alegrinho", Belle & Sebastian ainda "rules" mas, as composições parecem um pouco menos artesanais, mais lapidadas mas com os traços fundamentais do primeiro trabalho. O próprio nome do CD expressa isso, "Geometrid", geometria, matemática, lógica. "Geometrid" trás coisas um pouco mais pop que o "Tree", exemplo é a faixa 4 "Uncle Ray". Entra molinho, molinho em qualquer trilha de novela e, acreditem, não estou sendo irônico.

Certo. Gostando ou não, é bom que o mercado ofereça esse tipo de opção para aqueles que apreciam esse tipo de trabalho. As mesmas divisões existentes dentro do rock, digamos, convencional, também existe dentro daquilo que se convencionou chamar de musica eletrônica. A musica do Looper é apenas para uma fatia desse publico dividido. É aquela velha historia que diz o seguinte, "e se todos só gostassem do vermelho?" (Niva dos Santos)


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