Marilyn Manson
Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death)

O que os políticos, líderes religiosos, fãs de rap-metal, extremistas de direita, bárbaros e pais têm em comum? Eles todos querem que a coisa mais estranha da face da terra, Marilyn Manson, desapareça, desde sua última apresentação, quando ele apareceu vestindo uma roupa que deixava sua bunda exposta. Seu dom, às vezes divino e às vezes satânico, de provocar, empolga multidões, mesmo sabendo que ele pode ganhar ou perder o jogo.  

Holy Wood descreve como um ícone/estrela do rock pode ser massacrado pela própria fama, pressão do governo, religião e ganância. Manson já havia contado sua história antes, agora, Holy Wood aparece como um elo entre o som bem trabalhado do Mechanical Animals de 98 e o metal industrializado do Antichrist Superstar de 96, início de sua carreira. Esse não é o caminho mais fácil para a fama: Nós esperamos que ele apareça com uma loucura melhor que a outra, e não venha com temas já batidos. 

Na música "The Fight Song", Manson canta "Não sou escravo de um Deus que não existe", com uma fúria impressionante. Ele fica em transe por três minutos, enquanto arranha sua guitarra antes de triturar um som punk. A banda está bem rock: suas atitudes estranhas chama o público com uma pegada que é a cara do rock'n'roll.

O co-produtor Dave Sardy e o programador Bon Harris ajudaram a criar um efeito bem hard rock e um som de estúdio bastante alucinante. Holy Wood apresenta canções fúnebres e sinistras, tais como "Born Again" e "Burning Flag", que evocam os veteranos Pink Floyd e Black Sabbath, antes de retornar para uma batida mais pesada. Então, ele se retira lentamente, deixando um rasto de crucifíxos, balas, presidentes que já morreram e jovens descartáveis "Disposable Teens".

Como era de se esperar, em Holly Wood, Manson aparece ambicioso, egoísta e ríspido, porém, o álbum em si é muito bom e pode ser comparado ao White Album da banda. O som dessa banda excêntrica de Los Angeles, embora ainda em expansão, não chega nem aos pés do estilo eclético e melódico dos Beatles. Porém, temos que respeitar Manson por ele nos apresentar as situações da vida real, numa versão genuinamente teatral, que nenhum ator conseguiria interpretar. Certamente, Holly Wood não escapará das críticas, mas a vontade de seu líder de lutar contra os padrões da sociedade, que o massacrou, fará uma alto-indulgência universal. Todos nós temos um pouco de Marilyn Manson dentro de nós, ou pelo menos, deveríamos ter.

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