Metallica - St. Anger
(Universal Music)

Muita porrada e quase nenhum solo é o que o METALLICA apresenta neste “St. Anger”, em 11 faixas, 75:08 minutos de música cravados. Com certeza, esse disco vai provocar uma nova mudança entre os fãs da banda, um racha que começou com o “Álbum Preto” e se aprofundou no “Load” e “Reload” – conquistas de novos fãs e o abandono de outros. Dessa feita, o pessoal conquistado nesse “primeiro racha” pode vir a pular do barco, dando lugar aos que gostam de new metal.

Não é um disco de new metal na cara dura mas, tem vários elementos do estilo. A faixa dois que dá nome ao disco, por exemplo, que parece ser a “música de trabalho”, é um híbrido de porrada a moda antiga, com as típicas paradas e “explosões” de bandas como Korn e Limp Biskit. A colagem de duas vozes lembra muito essas bandas, sem no entanto ser igual. As afinações caíram para Lá ou até menos, dando aquele peso grave descomunal; os arranjos são quase todos em Mi, marteladas infernais, aditivadas pela gravação seca, chapada. As músicas, quase todas com mais de sete minutos, algumas com introduções instrumentais de mais de dois minutos, como é o caso da três, “Some Kind Of Monster”, chegam a ser um pouco cansativas, para que não tem muita paciência e não gosta de riffs repetidos ao extremo.

Certas faixas parecem que ainda estão no “rough tape”, ou seja, ainda estão naquele copião para uma primeira audição e ainda vão ser remixadas. Ou até modificadas. É o caso da quatro, “Dirty Window”. Talvez pela escolha de timbres e forma de mixar, a bateria soa meio como “lata” nesta faixa e em quase todo o disco. Essas observações não significam que o disco seja ruim mas, porra, cadê o METALLICA!? É um disco difícil de ser, digamos, digerido pelos fãs mais extremos, que, no final das contas, gosta de thrash metal, praia antiga da turma James Hetfield. Bueno, se já estão me xingando, lá vai – na cinco, “Invisible Kid”, tem umas levadas e forçadas de vocal muito próximas de SYSTEM OF A DOWN! Será que foi de propósito? “My World”, a seis, tem uma riferama de abertura bem Metallica mas, ainda não é o que o velho fã quer ouvir.

Caros amigos, ouvi esse disco por quase duas semanas, para só depois me atrever a escrever a respeito. Sei que posso ainda mudar a minha opinião, pra melhor ou para pior. Escrevo como o velho fã que não gostou muito do “Disco Preto”, passou quase batido pelo “Load” e “Reload”, e agora esta meio que empacado neste “St. Anger”. Mais das músicas - “Shoot Me Again”, a sete, ficaria muito bem no disco de qualquer umas das bandas citadas acima (menos o “System”, que eu considero muito alem do new metal) e assemelhadas, muito embora, com algumas levadas características dos quatro cavaleiros (agora com o excelente Robert Trujillo, ex-OZZY, no baixo). Nessa edição especial, um DVD com as 11 músicas na mesma seqüência do CD, gravadas ao vivo nos ensaios da banda, que saiu como bônus lá fora mas , pelos R$34,00 que esta custando nas lojas (o do Portal veio para divulgação), no Brasil esta muito bem pago (ô terrinha de morto de fome!!). Tem também um número chave especial que, juntamente com o CD, permite acesso na internet a gravações exclusivas da banda.

Metallica
na NET: www.metallica.com

(Niva dos Santos)

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