Paul Di'Anno - The Beast Live

O bad boy do Heavy Metal está de volta. Desta vez num ao vivo com dez clássicos do poderoso IRON MAIDEN, banda da qual fez parte nos gloriosos primeiros anos do metal pesado, mais precisamente, do NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal - Nova Onda Do Metal Britânico). Muito embora eu aprecie muito o estilo do grande Bruce Dickinson, para mim Paul será sempre o eterno front man da Donzela de Ferro e, dois dos maiores petardos metálicos do século passado, desse e, daqueles que virão, continuarão sendo, o primeiro da banda, que leva o mesmo nome e o KILLERS.

Entrando na terceira década de uma frutífera carreira, mesmo com alguns tropeços no caminho decorrentes de alguns projetos que poderiam ter sido mais elaborados, aquele moleque meio apavorado do início dos oitenta, é hoje uma referência, uma lenda viva, um mito que transita humilde no meio de muitos posers de qualidade duvidosa. E esse LIVE, que foi coletado durante incontáveis shows em diversos países, é a prova do afirmado acima.

Uma queixa em relação a esse trabalho, é a total falta de informação dos locais onde as músicas foram gravadas e também das datas e dos nomes dos músicos participantes. Uma exceção é a primeira faixa "Wrathchild", que foi gravada em São Paulo, não se sabe quando e, mesmo essa simples informação, só é conhecida porque Paul grita no meio da música "C'mon São Paulo! Let me hear you!" ("Vamos lá São Paulo. Eu quero ouvir vocês!"). Mas é o único senão. A gravação é excelente, mostrando claramente a transformação pela qual passou a voz de Paul Di'Anno, que soa como mil bestas cuspindo fogo de algum profundo inferno e, o fantástico trabalho instrumental dos músicos.

Em 2000, Paul esteve solo no Brasil, com apresentações em várias capitais e também para gravar um disco com músicos brasileiros (que resultou no CD "Nomad"). Nessa ocasião, numa entrevista à infelizmente extinta revista "Planet Metal", entre várias afirmações, disse que "sempre quis ser um músico e não uma estrela do rock". Na segunda desse ao vivo, a poderosa "Killers", Paul dá umas tossidas no meio da música. Se fosse uns desses medalhões decadentes que soltam trabalhos ao vivo, não sem antes fazer uma "limpezinha" em estúdio, certamente esse detalhe jamais aparecia em disco. Mas, ele é um músico e não um "artista" da mídia e, por detrás do músico, existe uma pessoa normal que, inclusive, tosse!

Os arranjos de todas as dez faixas, mesmo com algumas músicas soando mais pesadas do que as originas e também o vocal de Paul que está muito mais arrasador, foram mantidos, o que só alegra o fã que não está a fim de uma ouvir uma "releitura" mas sim, o mais original possível dentro das capacidades novas adquiridas por Di'Anno e banda. E é o que se ouve em todas as faixas. Na sete "Sanctuary", um "Obrigado amigos", levanta especulações sobre a possibilidade dela ter sido gravada também no Brasil. Como eu já disse, são dez clássicos então, fica complicado escolher a melhor mas, como a "the very best" eu escolheria a nove "Phantom of the Opera", a mais longa do CD, com 6:56 minutos, devido ao arranjo intricado e às quebradeiras e variações vocais. É uma das músicas do Iron Maiden que eu mais gosto.

São as seguintes as músicas do CD "The Beast Live": "Wrathchild", "Killers", "Prowler", "Murders in the Rue Morgue", "Women in Uniform", "Remember Tomorrow", "Sanctuary", "Running Free", "Phantom of the Opera" e "Iron Maiden". Uma curiosidade, que eu acredito não ser só minha, seria ouvir o Paul Di'Anno cantando alguma coisa da fase Bruce Dickinson, como por exemplo "Run to the Hills" e "Powerslave". Como é que ficaria, hein!!?? Será que um dia ouviremos alguma coisa desse tipo? Mas, voltando ao mundo real, esse é um CD altamente recomendável e vai fazer muita gente sonhar com a "reunion" do Iron Maiden dos primeiros discos, mesmo que seja para uma única turnê mundial (com o Brasil incluso, é claro!!). Então, o que vocês estão esperando?? Comecem um abaixo assinado já!! Calma gente, é só uma brincadeira. SERÁ??!!

Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock

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