Rammstein- Mutter (Limited Edition)
(Motor Music)

Já faz um bocado de tempo que eu estou embasando para escrever sobre esse disco. Ele é de 2001 e a versão que eu tenho é a alemã, uma edição especial com 11 inéditas e 7 bônus. Acho até meio covardia escrever sobre uma banda que eu gosto pra caralho mas, é mais sacanagem ainda não abrir os olhos (he,he) daqueles que ainda não conhecem o som do RAMMSTEIN. Também não posso afirmar pra vocês se existe versão nacional desse "Mutter" ("mãe" em alemã). É isso ai, eles cantam em alemão.

Aqui no Portal existe um especial sobre essa banda mas, só pra adiantar algumas coisas pra vocês, o RAMMSTEIN foi formado em meados de 1994 por seis camaradas da Alemanha Oriental, aquela que estava atrás do muro da vergonha, mais conhecido como Muro de Berlim. Esses seis camaradas eram e são ainda , Richard Kruspe (guitarra), Paul Landers (guitarra), Flake Lorens (teclados), Oliver Riedel (baixo), Christoph Doom Schneider (bateria) e Till Linderman (vocal). O primeiro disco foi "Herzeleid" (95), seguido do "Sehnsucht" (97) e esse "Mutter" de 2001. Existe também o "Live Aus Berlin" de 1999, tirado do vídeo/DVD do mesmo nome e um "Exclusive Collection", um catado dos CDs anteriores, singles e covers, uma boa pedida para quem quer conhecer a banda.

Basicamente o RAMMSTEIN faz uma mistura de metal com eletrônico mas, esse eletrônico é tirado de teclados e não de samples e bases pré-gravadas. Uma das características mais interessantes do grupo é a sua capacidade de transitar, dentro de uma mesma música, de bases extremamente fudidas e rápidas para melodias quase que líricas e vice-versa. A primeira do disco "Mein Hers Brennt" ("Meu coração queima") é um exemplo disso. A voz de Linderman soa como se cantasse um canção de ninar no início da música pra depois "explodir" ("agora queridas crianças, prestem atenção/Eu sou a voz do travesseiro/eu trouxe algo pra vocês/A clara luz da nuvens/Meu coração queima"). "Links 234" é a segunda e tem uma pitada do tecnopop dos oitenta, uma das influência da banda, mas com uma textura de guitarras pesadas. Guitarras pesadas é uma das marcas registradas do Rammstein. É só ouvir a três "Sonner" ("Sol") - que rendeu um belíssimo vídeo clipe - pra saber do que eu estou falando. A voz de Linderman assusta, disseram até que ele impostava a voz como Hitler, alem de outras absurdas acusações, quando do inicio do grupo. Mas não é nada disso, o cara só canta muito hermanos!

"Ich Will" ("Eu Quero"), é a quarta. Um dos temas abordados pela banda em suas letras são os relacionamentos, "normais" ou não. Eles são acusados também (aja acusações!) de sadomasoquistas, porque abordam temas que muitos evitam. Não é o caso dessa faixa quatro que diz coisas como "Eu quero que você acredite em mim/Eu quero que você creia em mim/Eu quero sentir os seus olhos/Eu quero controlar cada batida do coração" (ou será?). "Feur Frei" ("Atire"), tem um riff grudento e repetitivo de guitarra com uma base de teclados que parece trilha de filme de horror/suspense (quinta faixa). A belíssima "Mutter" que dá nome ao disco é outra "canção de ninar" pesada. "Spieluhr" ("Caixinha de música", faixa sete) é sobre a condição miséria/descaso/humano: "Um pequeno humano quer apenas morrer/Quer ficar completamente sozinho/O pequeno coração ainda permanece por horas/Então ele decidiram que ele estava morto/Ele esta sendo enterrado em areia molhada/Com uma caixinha de música na mão".

Eu disse que a banda toca em "feridas" que todos gostam de esconder. A pesada faixa oito é sobre uma delas. "Zwitter" é "Hermafrodita". É, os caras querem treta mesmo com as senhoras de Santana do mundo: "Eu roubei um beijo dela/Ela quis retribuir/Eu não a deixarei partir nunca mais/Nós nos transformamos numa coisa só/Isso é perfeito para mim/Eu sou um belo bissexual/Duas almas dentro do meu peito/Dois gêneros, um desejo/Hermafrodita/Hermafrodita". Mais treta com as damas citadas? Então, outra arrastada e pesada, a nove "Rein Raus" ("dentro - fora"). Essa é bem explicita e se você ouvir o cara cantando, as entonações de voz, sabendo o que esta sendo dito, vai sacar o que eu estou falando. Leia: "Eu sou o que monta/Você é o cavalo/Eu tenho a chave/Você tem a fechadura/A porta abre/Eu entro/A vida pode ser esplendorosa", ou então "Mais fundo, mais fundo/Diga isso! Diga alto!/Mais fundo, mais fundo/Eu estou bem dentro da sua pele/E milhares de elefantes explodem". A décima "Adios" ("Adeus"), umas das mais rápidas do CD, narra o que acontece com alguém que usa drogas injetáveis e, das inéditas, a última é "Hebel" ("Neblina"), outra belíssima, bem melódica, com orquestra e coral. Tem um "ar" de desfecho, de despedida, fantástico mix de voz e belíssimo solo de guitarra. Alguém num provável porto se despede de outro alguém.

As bônus são (de 12 até 18), "Du Hast", "Rammstein", "Du Riechst So Gut", "Engel", "Das Modell" (cover do KRAFTWERK), "Alter Mann" e "Sehnsucht A qualidade de gravação e mixagem é de dar raiva, quando lembramos de certas produções nacionais de picaretas que se dizem produtores. Na bateria, por exemplo, nenhum detalhe fica escondido, ouve-se tudo. Enfim, um grande trabalho que merece ser ouvido por aqueles que se interessam por musica pesada inteligente. (Dica: digite num buscador qualquer "Rammstein english lyrics" e encontre as versões das letras de todos os discos da banda em Inglês).

Na net: www.rammstein.de e www.rammstein.com

(Niva dos Santos)

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