System of a Down - Toxicity

Se você ainda não conhece a banda californiana System Of A Down, ou SOAD como é mais conhecida, guarde bem este nome, pois você ainda irá ouvi-lo muito. O mais recente CD dos caras, chamado "Toxicity", renega a reputação da banda de ser politicamente incorreta, incorrigível e incorruptível.

No álbum de estréia do SOAD, de 1998, o grupo ignorou o genocídio armênio e troxeu como destaque no CD a sigla P.L.U.C.K., que significa "politically lying unholy cowardly killers", em português algo como "assassinos covardes amparados politicamente".

Desta vez, a sigla usada para demonstrar a ênfase da banda é "ATWA", uma música que fala da filosofia ecológica do assassino americano Charles Manson, com o seguinte significado: "Air, Trees, Water, Animals", ou "Ar, Árvores, Água, Animais".

Recentemente, o guitarrista e líder da banda Daron Malakian, concedeu uma entrevista a um canal de TV norte-americano, em que comentou vários aspectos da carreira da banda, que eu achei interessante trazer para vocês.

Para Daron, a mídia e a imprensa americana e mundial estão sendo "irresponsáveis", pois estão usando o sensacionalismo da tragédia ocorrida em 11 de setembro para instigar mais agressões e o ódio pelos muçulmanos.

"Ser unido é uma coisa", diz ele. "Ser unido como são os racistas da Klu Klux Klan é outra coisa e isso é o que devemos temer. As pessoas não deveriam precisar de tragédias para se unir e tragédias não deveriam fazer com que povos se odiassem".

Alguns temas abordados no CD "Toxicity", variam desde protestos contra injustiças sociais. Como o tráfico de entorpecentes presente na faixa 'Psycho'. A origem armênia dos integrantes do SOAD aparece tanto nas músicas como nas letras da banda, mas seus integrantes não deixam que as letras se sobressaiam às músicas, mixando um verdadeiro coquetel de metal, rock progressivo, folk acústico e cânticos do Oriente Médio e Mediterrâneo.

Malakian e seus parceiros, o tecladista/vocalista Serj Tankian, o baixista Shavo Odadjian e o baterista John Dolmayan foram influenciados por bandas como Jane's Addiction, Pink Floyd, The Smiths e Slayer. Também curtem muito jazz, world-beat e rap. Você pode achar loucura uma banda ter tantas e diferentes influências, que musicalmente e conceitualmente não têm nada a ver entre si, mas essa mistura maluca faz com que o som da banda seja muito bem aceito até comercialmente.

"Para compor músicas que soem puras, tive que esquecer o passado e fazer uma espécie de lavagem cerebral. Queria que a banda pudesse crescer, não fazendo com que nosso som não parecesse mais com o SOAD, mas da forma como o U2 conseguiu crescer. Eles tentam diferentes formas de música, mas sempre mantém a velha fórmula U2", comentou Daron.

"O rock precisa de novas fórmulas, não cópias de Led Zeppelin. As bandas precisam evoluir e abrir suas mentes para novas tendências, caso contrário jamais passarão de cópias e releituras" detonou o guitarrista.

(Marcio Faveri)

Retorna a Reviews