The
Maiden Years - Tribute to Iron Maiden
Vol. 1 e 2
Escrevi numa matéria anterior que, a mais nova praga da indústria fonográfica
era o tributo. Também fiz questão de ressaltar que nem tudo era porcaria,
mas haja porcaria! Tenho, por exemplo, CDs tributos ao DIO, SABBATH,
JUDAS PRIEST e ALICE COOPER, São trabalhos honestos, com bandas e músicos
reconhecidos pelo público do metal e, portanto, não se configuram meros
caça níqueis, como é o caso de vários mas, verdadeiras homenagens feitas
com qualidade.
E um CD de qualidade é a soma de vários fatores. É claro que, o mais
importante é a música contida nele, obviamente. Entretanto, existem
muitos outros detalhes, alem desse principal. Um bom encarte com informações
sobre as gravações, músicos participantes, fotos, letras, etc., tem
um peso considerável nesse conjunto e, é tudo que não existe nesses
dois volumes dedicados a grande "Donzela de Ferro".
Nesses dois trabalhos não participaram bandas, mas um catado de músicos.
Existe apenas uma relação de nomes e os grupos onde esses artistas participam/participaram.
No volume 1, o mais conhecido é o poderoso Paul Di'Anno, como todos
estamos cansados de saber, o primeiro vocalista do Iron Maiden. Entre
muitos outros, também estão nesse primeiro, David "Bucket" Colwell (Bad
Company), Bernie Torme (Ozzy Osbourne/Ian Gillan), Tim "Nibbs" Carter
(Saxon), Steve Clarke (Fastway) e Gary Barden (M.S.Group).
O volume 2, repete Paul Di'Anno e outros que também participaram do
primeiro. Entre os "novos" participantes, mais alguns nomes "das antigas"
que só os "véios" do Metal e a rapaziada mais nova que gosta de fuçar
conhecem, como por exemplo alguns do TANK, uma das bandas mais pesadas
dos anos 80. Talvez o mais conhecido dessa nova leva seja o grande Phil
Campbel do Motorhead. Entretanto, as alterações no line-up desse dois
são mínimas em relação ao volume 1.
Constam nos encartes mixurebas que acompanham os dois volumes, apenas
e tão somente, os nomes dos músicos participantes, o estúdio onde foram
feitas as gravações/mixagens e os nomes dos envolvidos nesse processo,
além da relação das músicas, claro. Parece capinha de CD pirata, inclusive,
a qualidade do papel. Alias, parece CD pirata (não é, claro)! A pergunta
que se faz então, é a seguinte: vale a pena gastar tempo e grana com
estúdio, equipamento, mixagem, masterização, corte, entre outras coisas
e depois, na hora de apresentar o resultado final, largar no mercado
produtos tão mal acabados como esses? Mas, já que o que está feito está
feito e não tem mais jeito, vamos ver se o conteúdo é melhor que a embalagem.
AS MÚSICAS - Não deve ser fácil escolher músicas num repertório tão
vasto como é o do Iron Maden. O volume 1 tráz onze composições, na seguinte
sequência: "Can I Play With Madness", "Two Minutes To Midnight", "Wratchild",
"Hallowed Be Thy Name", "Running Free", "The Evil That Man Do", "Phantom
Of The Opera", "Number Of The Beast", "Iron Maiden", "Run To The Hill"
e "The Trooper". Pois é rapaziada. Sentiram o peso da responsa. É igual
pisar em campo minado: todo cuidado é pouco!
E deu zebra! Logo de saída, uma brochada "Can I Play With Madness".
Parece Whitesnake (credo!), até o instrumental está devagar. Na segunda
"Two Minutes...", o vocal também é mornão, sem potência. "Wratchild",
se não é o Paul Di'Anno é alguém do mesmo nível numa boa faixa. O disco
continua com vocais que não se encaixam com o som do Iron. Tem que ter
punch, tem que ser porrada, tem que ser com sangue nos olhos! O CD da
uma melhorada na sexta faixa, "The Evil That Man Do", com instrumental
e vocal excelentes. Vale ressaltar o bom trabalho de guitarra em quase
todas as faixas, como por exemplo, em "Phantom Of The Opera", onde o
guitarrista em questão cria alguns riffs e solos novos, sem descaracterizar
a melodia original. Também na oito, "Number Of The Beast", com um bom
vocal, mas sem volume, alguns solos diferem do original, mas com qualidade.
Já a bateria, soa pa-pum, pa-pum, o álbum inteiro.
Paul Di'Anno volta com "Iron Maiden", a nona faixa (se não for ele,
sinto muito brothers e brodas mas, na falta da informação real, sou
obrigado a dar uns tiros no escuro, mesmo correndo o risco de acertar
no cachorro e não na caça). "Run To The Hill" virou "Corre pro morro".
Vocal horrível, instrumental meia bomba. A última, "The Trooper", mesmo
com alguns momentos de bom instrumental, também não convenceu.
VOLUME 2 - Música do Iron Maiden não admite vocal cheio de frescura.
E é um cheio de "owu, owu" que abre o CD, melando logo de testa a grande
"Bring Your Daughter To The Slaughter", com instrumental sem peso, apesar
dos bons solos de guitarra, como eu já citei. Melhora um pouco na segunda
"Murders In The Rue Morgue" com vocal e instrumental competentes. Em
"Aces High", a três, a levada é mais lenta mas funciona, assim como
o vocal mas, a bateria continua nada a ver. E tome a quatro, uma versão
molinha de "Flight Of Icarus", salvando mais uma vez, os solos de guitarra.
A quinta "Wasted Years", tem um bom vocal, o instrumental é mais lento
e a bateria continua paticundum. Sou teimoso e até otimista. Deve ter
alguma onde tudo funcione.
Não. Ainda não é dessa vez. "Remember Tomorrow", a sexta, tem um vocal
com pouco volume e gritos desnecessários mas, não chega a ser ruim.
Faixa sete, "The Clairvoyant": morno, com solos de guitarra diferentes
do original e o uso de Cry Baby. O fantasma do Whitesnake reaparece
em "Prisioner", a oitava. Se eu não estou enganado, é o Paul Di'Anno
que canta na nona "Sanctuary" e também na onze "Killers" mas nenhuma
das duas minhas esperanças se concretizam. Ainda nenhuma zero bala!
A número dez, a grande "Powerslave", do disco homônimo e também o nome
da turnê, que passou pelo Brasil e que eu tive o prazer de assistir
em 85 no "Rock In Rio I" (leia matéria nesse portal). O vocal é bom
e o instrumental também e, se não é aquela zerada, pelo menos é a melhor
executada. A doze e última, "Fear Of The Dark" também não acrescenta
nada.
Complementado o que eu disse no início, todo tributo é olhado com uma
certa desconfiança. Então, quem se aventura a fazer um, tem que fazer
muito bem feito. Com certeza, não existe qualidade total em nenhum deles,
mesmo naqueles que eu citei acima como muito bem feitos. Mas, num CD
com, digamos, doze bandas, se dez fizerem o trabalho de casa direitinho,
ele já pode ser considerado muito bom e é o que ocorre com o do Dio
e com os dos demais da lista acima. Nesses dois que eu estou comentando,
com músicos convidados e não bandas, acontece o contrário: o aproveitamento
não passa de 30%, quando muito.
Finalizando, nenhum desses volumes é indicado para fãs extremados do
Iron Maiden. Se tiver úlcera nervosa, muito menos ainda. Talvez funcione
com fãs genéricos de rock ou como novos itens na coleção de Ironmaníacos
que não perdem nada relacionado com a banda. Com certeza, os seis cavaleiros
da "Donzela de Ferro" não mereciam essa "homenagem".
Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock

Retorna
a Reviews