Varukers - How Do You Sleep???

A HISTÓRIA - Antes de comentar esse novo trabalho do Varukers, um pouco da história do grupo. O Varukers é uma banda de Hardcore formada em 79 e, tinha como primeiros membros , Ratt nos vocais, Bruce Riddell na guitarra, Tom Lowe no baixo e Gary Maloney na bateria. Em 1981 realizam o primeiro EP conhecido como "Protest And Survive". Logo após esse EP Gary sai da banda para tocar com outra lenda do HC, nada menos do que o Discharge. Em Junho de 82 gravam um novo EP, "I Don't Wanna Be A Victim", com três faixas. Tom Lowe deixa a banda e em seu lugar entra um novo baixista de nome George. O próximo single foi "Die For Your Government" e, devido ao sucesso alcançado é lançado o primeiro álbum "Bloodsuckers".

Tempos depois, novo abalo na banda, com baixista, baterista e guitarrista debandando de uma vez só. Ratt sai na cata de novos membros e, o Varukers passa a ter a seguinte formação: Andy Baker na bateria, Damien Thompson na guitarra e Broken Brick ("Tijolo Quebrado? ") no baixo. Com esse "line up" gravam em 83 o EP "Led To The Slaughter" e, 3 meses após, o álbum, já antológico, "Another Religion Another War".

Em 1984, depois de uma turnê pela Alemanha e Holanda , novo desfalque no grupo com as saídas de Damien e Brick, sendo substituídos por Paul Miles na guitarra e Grahan Kern no Baixo. A próxima realização da banda é um EP de 12 polegadas (LP) chamado "Massacred Millions" seguido de um álbum ao vivo. Poucos meses depois, Andy Baker abandona o Varukers e se junta com Damien Thompson na banda Sacrilege. Um novo baterista, Warren, é convocado e a banda grava outro LP de nome "One Struggle One Fight".

O Varukers também participaria de várias compilações e, em meados de 84, um novo single "No Hope Of A Future". Em 85, uma nova debandada geral. É o fim da banda, que retornaria em 93 pelas mãos do incansável Ratt . A nova formação tem Ratt nos vocais (claro!), Biff na Guitarra, Kevin Frost na bateria e Brian no baixo. "Nothing Changed" ("Nada Mudou"), um novo single, é lançado em 94, ano da primeira tour da banda para os EUA. No final desse ano, lançam pelo selo alemão "We Bite Records", o álbum "Still Bollox But Still Here".

Em Abril de 95, uma nova tour americana. Logo depois, alguns shows pela Europa. Em 96, a banda se apresenta no Japão e, um compacto chamado "Humanity", com alguma músicas novas, é prensado especialmente para essa ocasião. Depois da tour japonesa, Brian deixa a banda sendo substituído por Kieran. Em 97, voam novamente para apresentações na terra do Tio Sam e é lançado um novo e excelente CD, só de material novo, chamado "Murder".

E as mudanças na banda continuam. No início de 98 Kieran é substituído por Marvin (ex-Chaos UK) e, um novo retorno para o Japão acontece em Março desse mesmo ano, mais Austrália e Nova Zelândia. De volta ao Reino Unido, o Varukers juntamente com o Ratos De Porão, fazem uma pequena turnê Britânica. Em Maio de 98, numa espécie de retribuição à camaradagem da banda com o RDP, o Varukers aporta no Brasil para poucas mas festejadas apresentações.

Retornam ao Brasil em Julho de 2001, com apresentações em São Paulo, Santos, São Bernardo do Campo, Campinas e Rio De Janeiro. Nessa Ocasião também é lançado pela Pecúlio Discos, o último CD da banda, "How Do You Sleep?".

O DISCO- Um pouco diferente do anterior "Murder", que é pura porrada, "How Do You Sleep?", intercala algumas levadas de PunK Rock clássico mas sem exagero. Muito embora o Varukers tenha características próprias, claro, acredito que a banda tem uma certa semelhança com o Exploited (ou o Exploited tem algumas semelhanças com o Varukers?), principalmente na forma de cantar e nos riffs. Como as duas bandas são ótimas, pequenas semelhanças entre elas não desmerecem nenhuma delas mas, ao contrário, apenas explicam o porque de ambas serem tão apreciadas pelos fãs de Punk/hardcore.

As letras e as bases desse novo disco continuam destruidoras, mostrando que o Varukers não está nem um pouco preocupado em frequentar a mídia massificadora, mais interessada nas comportadas bandas de pop punk adocicado, que de punk não tem nada, tipo Green Day e Blink 128. Continuam vomitando o mesmo asco por essa sociedade apodrecida, mais desumana do que nunca, que agoniza em meio à mentira da globalização, verdadeira fábrica de miseráveis, uma espécie de peste negra do último milênio, não sem a prestativa ajuda das burguesias parasitas locais e governos lacaios , que não sentem um pingo de remorso ou de vergonha, em massacrar os seus povos, em nome de um "novo liberalismo", codinome escravidão ou, no máximo, um novo Feudalismo.

O verdadeiro fã sempre sente um frio na espinha quando compra um CD de uma banda que aprecia. O medo é de que os caras, embalados por algum novo modismo, enveredem por um caminho que não tenha nada a ver com a banda. Também é evidente que ninguém é estúpido a ponto de não admitir que uma banda evolua, que assimile características novas, detalhes, etc., que colaborem com o desenvolvimento do grupo, mesmo porque, é impossível ser totalmente imune às constantes mutações que ocorrem com a música. E o Varukers sabe como ninguém manter suas características "marca registrada", sem soar datado. A seguir uma pequena descrição das doze músicas que compõem esse trabalho de 25 minutos.

1- "HOW DO YOU SLEEP?"- Começa numa levada pesada mas lenta até ficar acelerada. A tradicional segurada numa base rápida até o refrão que desafia: "Onde eles arrumam milhões para merdas de guerras sem sentido?".

2- "GUN CRAZED KIDS"- Essa música fala das matanças que acontecem cada vez com mais constância nas escolas, onde as crianças aprendem tudo menos a educação formal. Começa na porrada com muita guitarra e a tradicional raiva. Base sólida, bateria matadora. Ouça e fique parado.

3- "BLEED US DRY"- Retrato do sistema de bem estar social tipicamente europeu que passa por retrocesso em vista do atual neo liberalismo que assola o mundo. Sangue nos olhos, devastação pura.

4- "MODEM FOR DESTRUCTION"- Arrastadona, lembra muito EXPLOITED, com backing vocal bem colocado. Mesmo não citando explicitamente, uma letra fudida contra os sites fascistas que infestam a internet, manipulados por aqueles que acham que a solução dos seus problemas está na criação de um "IV reich", com letras minúsculas mesmo. "Conectado com o genocídio/Baixando sites de ódio/Um modem para a destruição/Num estado fascista virtual". Maravilhosa!

5- "MEMO FOR ME"- Hardcore com Punk tradicional. Letra sobre aqueles camaradas chatos que bota a culpa em todos pela sua desgraça, menos neles próprios. Riffs destruidores de guitarra do grande Biff.

6- "WHERE IS YOUR GOD"- 2:30 minutos de pura adrenalina. Pogo/mosh/stage garantidos. HC oitentista da melhor qualidade.

7- "AS GOOD AS ITS GETS" ("Tão bom quanto pode ser")- A mais Punk Rock de todas com peso de HC. O interessante é que no encarte, essa música aparece com oito estrofes e o Ratt só cante três. Quando começa a faixa 8 e que ficamos sabendo que, por um erro de digitação, alguém esqueceu de marcar o nome da próxima música dando a impressão que era uma única letra. Basicamente a letra diz o seguinte: Temos o que merecemos, de acordo com os nossos atos.

8- "NO RESTRICTION"- Pois é, essa é a música que faltou o nome no encarte. Porradaria com Ratt cuspindo fogo. Música auto biográfica, o seja, ser punk é acima de tudo ser anárquico: "Nenhuma restrição, nenhuma regra/Nenhum regulamento, nenhuma lei/Nenhuma restrição, nenhuma regra/Nenhum regulamento seus idiotas".

9- "UNDER ATACK"- Mais HC com pequenas folgas no refrão, que ninguém é de ferro. Mais uma contra aqueles que só enxergam defeitos nos demais. Vocal um pouco mais "fácil" de entender, pequenos solos que servem como ponte, também característico em quase todas as outra musicas.

10- "ABSOLUTION"- "Você confessa todos os seu pecados/Ele reza pela sua alma/Você implora por perdão/Agora eles têm o controle". Escrevi logo atrás que a banda não está nem um pouco preocupa em acompanhar modismos e que isso também não significava ficar alheio ao que acontece em volta. Essa música é um bom exemplo disso. Uma espécie de pintura onde a letra é a tela e a base a moldura da obra. Uma obra bem pesada por sinal. Nenhuma chance de ficar parado com "ABSOLUTION".

11- "PISS OFF (I'VE PAID)"- O pessoal que tem alguma intimidade com uma guitarra ou baixo, percebe facilmente que o básico das bases de Varukers é segurar um acorde enquanto Ratt canta uma estrofe inteira enquanto a variação de notas ocorre durante o refrão ou vice versa. Parece simples mas, se a banda não estiver ensaiada pra caramba, vai soar falso e sem dinâmica. Essa música é bem isso que eu estou falando. Chega de "teoria", continue pulando!

12- "DIE"- A segunda mais PR do disco com pitadas de HC. Letra raivoso, "o ódio que eu sinto nunca acabará até que eu veja você morto". E com ela acaba o CD mas, até que a contagem dos segundos não zere, fica a esperança de uma faixa surpresa que infelizmente não acontece.

Mesmo com um tempo tão curto, apenas 25 minutos num CD com mais de 70 minutos de capacidade, com certeza não é uma compra sujeita a arrependimento. Vamos esperar que o novo disco ,previsto para ser gravado até o final do ano e lançamento no Brasil em 2002 também pela Pecúlio (leia entrevista com Marvin), se concretize. Quem viver verá e ouvirá. Até. (Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock)

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